25/07/2017

A GURGEL E O SONHO DE PRODUZIR UM AUTOMÓVEL GENUINAMENTE BRASILEIRO


A Gurgel surgiu em setembro de 1969 na cidade paulista de Rio Claro pelas mãos do engenheiro mecânico João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, que sonhava em produzir uma marca de veículos originalmente brasileira.
O primeiro modelo fabricado pela nova empresa era um bugue de linhas modernas e avançadas chamado Ipanema. A Gurgel tinha nessa época apenas seis funcionários. O chassi e o motor eram produzidos pela Volkswagen.
Com produção iniciada em 1973, o Xavante foi o primeiro produto de sucesso da marca. O detalhe é que nessa época a Gurgel produzia pouquíssimos automóveis, chegando a cerca de 10 por dia. Isso, no entanto, não foi empecilho para que ela começasse a exportar seus modelos, nem a lançar novos produtos.
Em 1980, ela fabricava 10 modelos diferentes. Entre os modelos de maior sucesso estava o BR-800, um automóvel totalmente desenvolvido e fabricado com tecnologia brasileira. Foi uma das primeiras experiências da empresa com veículos urbanos (ela produzia mais jipes e utilitários). De pequeno porte e com linhas retas, o BR-800 chamava a atenção por onde passava. Sua produção durou de 1988 a 1991.
Outro modelo fabricado nos anos 80 foi o XEF. Também com pequenas dimensões, era um carro totalmente urbano. Lembrava um bocado o FIAT 147. Tinha motor Volkswagen 1600 e era vendido com motor a álcool e a gasolina.
Ainda menor foi o Gurgel Supermini. Ele tinha linhas um pouco mais modernas em comparação com os outros veículos da marca. Apesar da aparência, leva quatro pessoas e ainda possuía um porta-malas. O motor era também mais potente.
Também com linhas retas, o X-15 era um veículo utilitário com aparência de carro de guerra.
Os veículos da Gurgel tinham nomes bem brasileiros como Xavante, Tocantins, Itaipu e Carajás (imagem acima). Este último era um utilitário moderno para a época. Tinha motor dianteiro Volkswagen (foi o primeiro modelo da marca com motor dianteiro) e concorria quase em pé de igualdade com o Toyota Bandeirante.
 Em virtude da forte concorrência estrangeira – além de problemas financeiros, obviamente –, a Gurgel fechou as portas em 1996. Temos que lembrar que a abertura de mercado para os veículos importados foi uma espécie de golpe fatal para a empresa. João Augusto do Amaral Gurgel faleceu em janeiro de 2009 depois de anos sofrendo com mal de Alzheimer. A marca foi adquirida em 2004 pelo empresário Paulo Emílio Freire Lemos, que hoje produz triciclos rurais e empilhadeiras.

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