16/11/09

1975: SÔNIA CRAVO E CANELA


Antes de se tornar conhecida como Gabriela, Sônia Braga participou de alguns episódios de Caso Especial e novelas da Globo. Foram Irmãos Coragem, Selva de Pedra e Fogo Sobre Terra. Sônia também trabalhou no infantil Vila Sésamo, exibido nos anos 1970 pela Globo e TV Cultura de São Paulo.
Em 1976, Sônia participou da novela Saramandaia e do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos. Mais tarde, estouraria nas bilheterias com o filme A Dama do Lotação e nas telinhas com o folhetim Dancin’Days. No início dos anos 80, Sônia voltou a interpretar a personagem Gabriela, só que dessa vez no cinema. O personagem Nacib foi interpretado pelo ator italiano Marcello Mastroiani.
Tanto a Gabriela da novela quanto a do cinema impulsionaram a carreira internacional da paranaense Sônia Braga. Mas o filme que projetou Sônia em Hollywood foi o Beijo da Mulher Aranha, de 1985. Mas o ano de Sônia Braga foi, no entanto, 1975.
O sucesso da novela Gabriela fez com que Sônia fosse recebida em carro aberto em Portugal. O sucesso fez meio Brasil cantar a música Modinha para Gabriela, de Dorival Caymmi - interpretada por Gal Costa. O sucesso fez com que Sônia fosse convocada para ser Dona Flor e a Dama do Lotação. Sônia Braga foi o maior símbolo sexual brasileiro da segunda metade dos anos 70.
Gabriela, digo, Sônia Braga foi um das personalidades mais influentes de 1975. Seu nome aparecia com frequência em revistas como Veja, Manchete, Contigo, Amiga e Sétimo Céu. Outras personalidades que estiveram na boca do povo em 1975 foram o piloto Emerson Fittipaldi, o atleta João do Pulo (que bateu o recorde mundial do salto triplo) e o humorista Chico Anysio. Por sinal, Chico só não fez mais sucesso por que não era mulher, nem era bonito como Sônia Braga. Mas quem fazia o Brasil rir no teatro e na televisão era ele e somente ele. O personagem Azambuja alcançou tamanha popularidade que ganhou séria própria. Os brasileiros viam Chico Anysio três vezes por semana. Ele interpretava diversos personagens no programa Chico City. Quem não lembra das esquetes e quadros de personagens como o velho Popó, o pai de santo Zuza, do coronel Pantaleão e do “astro” Alberto Roberto?
Foram ao ar na mesma época de Gabriela as novelas Pecado Capital e Escalada. A Globo passou a apresentar uma série de novelas baseadas em clássicos da literatura. A primeira (que teve pouquíssimos capítulos) foi Helena, seguida de Senhora e A Moreninha. Além de se contorcer de rir com Chico Anísio, os brasileiros se divertiam com a primeira versão de A Grande Família (que era exibida pela Globo) e com o programa Alegríssimo (da TV Tupi). Os domingos eram do apresentador Silvio Santos.
É provável que a nova geração não saiba, mas Silvio Santos foi o principal apresentador dominical da Rede Globo nos anos 70! Poucos brasileiros sabiam quem era o repórter de rádio Fausto Silva. Outra curiosidade: Roque e Lombardi já trabalhavam com Silvio em 1975. Silvio Santos costumava promover suas próprias empresas e produtos (Baú da Felicidade, Lojas Tamakavy e Vimave ) em seu programa.
O Brasil ainda convivia com o fantasma da falta de petróleo em 1975. A época do milagre econômico estava chegando ao fim e o povo começava a reclamar da carestia. A epidemia de meningite assustou as autoridades, que promoveram vacinações em massa em São Paulo. A Guanabara fundiu-se ao Rio de Janeiro. A Guerra do Vietnã (que foi, para muitos norte-americanos, um desastre) finalmente chegava ao fim. Nasciam países independentes, quase todos de língua portuguesa: Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde.
Muitos paulistanos devem ter comprado aparelhos de TV Colorado na loja de departamentos Mappim, com endereço na Praça Ramos de Azevedo. Fazia pouco tempo que a cor tinha aportado na telinha e o sonho de boa parte dos brasileiros era ter um televisor colorido. Marcas como Telefunken chamavam a atenção para os aparelhos à cores em seus anúncios publicitários.
Os filmes “tipo catástrofe” estavam em alta. Robert Altman tinha acabado de lançar o clássico Nashville, filme ignorado pelas massas. O que elas queriam era assistir Aeroporto, Terremoto e Inferno na Torre. Também se interessaram por Tubarão, produção dirigida por um cineasta não muito conhecido por aqui: Steven Spielberg. E cinema de verdade era o cinema de rua. Os cinemas de shoppings surgiram anos depois.
Lançado em 1974, o LP Gita, de Raul Seixas vendeu horrores ao longo do ano seguinte. Aliás, Gita foi um dos principais hits do verão 74/75. Outro cantor que deu muito o que falar foi um tal de Mauro Celso. A canção Farofa-fa estourou nas paradas e inspirou torcidas como a do Flamengo, que não cansava de repetir: Flaro-Fla-Fla. As músicas internacionais mais ouvidas foram Flying (com Chris DeBurgh) e Feelings (de Morris Albert). Composta pelo brasileiro Maurício Alberto Kaisermann – ou simplesmente Morris Albert - Feelings fez sucesso em dezenas de países. A ele seguiram-se She’s my Girl e Conversation.
Fernão Capelo Gaivota (de autoria de Richard Bach), O Exorcista (de W. P. Blatty), O Machão (Harold Robbins), Arlequim (Morris West), Cães de Guerra (Frederic Forsyth), Teje Preso (Chico Anysio) e Calabar (Chico Buarque) foram os livros de maior saída das livrarias. A Gabriela de Sônia Braga reavivou o interesse pela obra de Jorge Amado. Tanto que Gabriela Cravo e Canela foi um dos livros mais vendidos na época em que a novela esteve no ar.
Depois do sucesso de O Beijo da Mulher-aranha, Sônia Braga radicou-se nos Estados Unidos, onde participou de vários filmes e séries de TV. Participou de Luar Sobre Parador, Rebelião em Milagro, Rookie, Morte Dupla e Um Drink no Inferno. Regressou ao Brasil cerca de 20 depois, quando fez duas pequenas participacões na novelas Páginas da Vida e Força de um Desejo. Recentemente (no ano de 2007), participou de uma versão brasileira de Desperate Housewives.

06/11/09

1990: PAULO COELHO ESTÁ EM TODAS


Faz tempo que o escritor Paulo Coelho é conhecido do grande público. Antes de se tornar best-seller ele era conhecido como compositor, chegando a criar diversas músicas em parceria com Raul Seixas. Foi entre a segunda metade dos anos 80 e início dos 90 que Paulo “estourou” como escritor. Em 1990, mantinha três livros na lista dos mais vendidos: Diário de um Mago, O Alquimista e Brida.
O sucesso de Brida foi tamanho que, mais tarde, ele foi adaptado para a TV. Entre 1992 e 2008, Paulo escreveu diversos livros, entre os quais As Valkírias, Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei, O Monte Cinco, Veronica Decide Morrer, O Demônio e Srta. Prym, Onze Minutos, O Zahir, A Bruxa de Portobello, Ser Como o Rio Que Flui e O Vencedor está Só. Todos, sem exceção, foram campeões de vendas. Mas, o ano de 1990 foi especial para Paulo Coelho.
Um dos campeões de vendas de 1990 foi Lembranças da Meia-noite, de Sidney Sheldon. Podemos dizer que é uma espécie de continuação do best-seller O Outro Lado da Meia-noite. Outro escritor que disputou o topo das vendas com Paulo Coelho em 1990 foi Rubem Fonseca, com seu clássico Agosto. Ruy Castro invadiu a raia com Chega de Saudade. O italiano Umberto Eco apareceu com O Pêndulo de Foucault e Ricardo Semler com Virando a Própria Mesa. Curiosamente, um dos grandes vencedores (e que virou febre!) de 90 foi o infantil Onde Está Wally?.
Em Onde está Wally?, a garotada tinha que encontrar o personagem escondido entre diversas multidões. Era difícil, mas todos conseguiam encontrá-lo. O livro do magrelo de óculos, gorro e malha listrada foi uma das manias de 1990, juntamente com as molas coloridas da Muzzi e os bonecos peludos esquisitos da Grow. Eram chamados de Fluffs. Alguém lembra?
O vídeocassete de quatro cabeças da Panasonic foi a grande vedete do lar em 1990. Era caro, mas boa parte da população dava um jeito de trazê-lo do Paraguai. Ou mesmo de Miami! O Panasonic de quatro cabeças dividia espaço com os “três em um” de marcas como Philco-Hitachi, Philips, Toshiba e Gradiente. Os aparelhos de som da Cygnys também tinham boa saída das lojas.
Tudo indica que Paulo Coelho possuia um Sterilair em casa. Fabricado pela Yashica, o Sterilair prometia umidificar o ar e matar micro-bichos asquerosos como o ácaro. Se Coelho não tinha, o resto do Brasil tinha, O Sterilair foi o único aparelho anti-ácaro a virar mania entre os brasileiros.
O Kitchen Machine foi a grande estrela da cozinha. Qual dona de casa não gostaria de ter um desses em casa? Ele fazia milagres. O problema é que dava trabalho para lavar. E que trabalheira!
Paulo tinha uma filmadora Samsung? Talvez sim, talvez não. O fato é que muitos brasileiros queriam uma filmadora VHS para gravar festas de família e, em seguida, assistí-las no Panasonic quatro cabeças. Ela podia ser comprada nas lojas de departamentos que ainda estavam em alta nesse tempo. Mappim, Mesbla e Sears eram algumas dessa lojas.
Os homens usavam perfumes como o Quasar, do Boticário. Sapatos e sapatilhas Sândalo estavam nos pés de muitos marmanjos. Os cintos Fasolo era considerados chiques por alguns. Adidas, Puma e M2000 figuravam entre as marcas de tênis prediletas. Jeans? A grife Wrangler era uma das mais desejadas. As calças jeans com estampas verticais nas laterais virou moda entre adolescentes e moças.
Fernando Collor de Mello assumiu a presidência do Brasil em 15 de Março de 1990. No mesmo ano, o Iraque invadiu o Kwait, deflagrando a Guerra do Golfo. O regime de segregação racial da África do Sul agonizava. Nelson Mandela, simbolo da luta dos negros contra o Apartheid foi libertado depois de 28 anos de prisão. O mundo comemorava o primeiro ano da queda do Muro de Berlim.
Os personagens do ano foram Fernando Collor de Mello, ministra Zélia Cardoso de Mello (que confiscou a poupança de quase metade dos brasileiros!!), Luma de Oliveira (que estampou a capa da revista Playboy), Madonna e Paulo Coelho.
Por falar em Madonna, ela foi uma das grandes estrelas de 1990. Blonde Ambition, título de sua turnê, rodou os palcos do mundo. Nós ouvíamos Leandro e Leonardo (Desculpe, mas eu vou chorar), Chitãozinho e Xororó (Nuvem de Lágrimas e Evidências) e Bon Jovi (I’ll be There For You). A lambada, que fora o principal modismo dos últimos tempos, agonizava. A house, um estilo de música eletrônica, continuou fazendo a cabeça da moçada de 1990.
No cinema, destaque para Nascido em 4 de Julho, Meu Pé Esquerdo (que garantiu o Oscar para Daniel Day-Lewis), Sociedade dos Poetas Mortos, Uma Linda Mulher, Ghost – Do Outro Lado da Vida e Esqueceram de Mim. Difícil apostar qual filme fez mais sucesso. Sociedade dos Poetas Mortos teve boa saída nas locadoras de vídeo. Uma Linda Mulher “bombou” nos cinemas e na TV. Ghost arrancou lágrimas em todos os países onde foi exibido. Quanto a Esqueceram de Mim, foi reprisado diversas vezes na TV ao longo dos anos seguintes.
Praticamente não havia telefonia celular no início dos anos 90. Ligar da rua, só se fosse de orelhão com ficha. O sujeito era obrigado a estacionar seu Lada recém-importado (a Lada foi uma das primeiras marcas estrangeiras a chegar por aqui) na rua e correr para o orelhão mais próximo. Marcava o encontro com a namorada para antes ou depois da novela Pantanal. Perder Pantanal? De jeito algum. Podia perder Rainha da Sucata, da Globo, menos Pantanal, que era exibida pela extinta TV Manchete.
Enfim, 1990 foi o ano de Paulo Coelho, mas também foi de Madonna, Fernando Collor de Mello, Beto Barbosa (o rei da lambada), Nelson Mandela, Leandro e Leonardo, Juma Marruá… Juma o quê? Juma era a personagem principal de Pantanal, interpretada pela atriz Cristiana Oliveira. Juma era apaixonada por Jove (Marcos Winter), filho rejeitado de José Leôncio… Mas aí são outros quinhentos.

30/10/09

1980, O ANO DE RITA LEE


Afinal, é correto afirmar que 1980 foi o ano de Rita Lee? Presumo que não. Todos os anos são anos de Rita Lee. Ela faz sucesso desde a década de 1960, quando integrou o grupo Os Mutantes. Seu primeiro disco solo foi lançado em 1970, quando ainda era integrande do grupo. Desde então, Rita tem lançado disco atrás de disco. Mas, o apogeu da carreira ocorreu, sem dúvida, entre o final dos anos 70 e o início dos 80.
Em 1978, Rita lançou Babilônia, que foi seguido por Rita Lee (1979), Rita Lee (1980), Saúde (1981), Rita Lee e Roberto de Carvalho (1982) e Bombom (1983). A eles seguiram-se muitos outros. Os maiores hits de Babilônia foram Miss Brasil 2000 e Jardins da Babilônia. Do Rita Lee de 1979 os grandes sucessos foram Papai Me Empresta o Carro, Chega Mais, Arrombou a Festa II, Mania de Você e Doce Vampiro. A canção Mania de Você tocou insistentemente em um comercial de TV do jeans Ellus. Meio mundo ficou escandalizado com as cenas de um casal tirando a roupa em uma piscina. Em 1980, Rita emplacou Baila Comigo, Ôrra meu, Lança Perfume e Nem Luxo, Nem Lixo. Mais tarde, uma versão instrumental de Baila Comigo abriria uma novela de mesmo nome na Globo. Lança Perfume foi o nome de um show que percorreu o Brasil inteiro. As músicas mais tocadas de Saúde, de 1981, foram Mutante, Banho de Espuma, Atlântida e Saúde. Rita Lee e Roberto de Carvalho, de 1982, foi outro grande sucesso. Flagra e Vote em Mim foram os maiores hits. Finalmente, Bombom emplacou On the Rocks (com um dos melhores solos de guitarra do rock brasileiro) e Desculpe o Auê.
O presidente da República era João Batista Figueiredo quando o Rita Lee de 1980 foi lançado. Os assuntos mais discutidos daquele ano foram os jogos olímpicos de Moscou, as greves no ABC e a visita do Papa João Paulo II ao Brasil. Rita deve ter acompanhado as notícias sobre a turnê do papa. E quem não acompanhou? Nada, porém, chamou tanto a atenção quanto a morte dos ex-Beatles John Lennon. Foi um choque. Lennon foi assassinado por um maluco na porta do prédio onde morava.
Entre gravações de clipes, entrevistas e shows, Rita deve ter ouvido muito sobre a apresentação do cantor Frank Sinatra no Maracanã e sobre a nova grande estrela da MPB: Fagner. O cearense Raimundo Fagner era muito popular na época. Noturno, uma de suas músicas abriu a novela Coração Alado, da saudosa Janete Clair. Outra estrela que arrebentou nas paradas foi Gal Costa. Chico Buarque revoltou as “Genis” brasileiras. Elas ficaracam indignadas com a música Geni e o Zepelin, cujo refrão era “Taca pedra na Geni/Taca bosta na Geni/Ela é feita prá apanhar/Ela é boa de cuspir”.
Um dos maiores sucessos da TV naquele ano foi o MPB 80, transmitido pela Rede Globo. Dezenas de compositores e cantores participaram do festival. Ao final, a música vencedora foi Agonia, cantada por Osvaldo Montenegro. Que faturou o segundo lugar foi Amelinha, com a música Foi Deus Quem Fez Você. Jessé não chegou nas primeiras colocações, mas foi agraciado com o prêmio de melhor intérprete masculino e ainda botou Porto Solidão nas paradas de sucesso.
Baby Consuelo foi outra cantora popular em 1980. Menino do Rio, uma composição de Caetano Veloso, tocou na abertura da novela Água Viva. A abertura de Olhai os Lírios do Campo, transmitida às 6h00 da tarde, foi musicada por Fábio Jr. e Chega Mais, do horário das sete, por ninguém menos que Rita Lee.
Em 1980, o Brasil inteiro se perguntava quem matou o personagem Miguel Fragonard, da novela Água Viva. Tinha ódio de J.R., o vilão do seriado norte-americano Dallas. E as crianças conheceram um personagem chamado Bozo, escalado para comandar um programa infantil na TVS.
No cinema, as maiores bilheterias foram: A Lagoa Azul (com a adolescente Brooke Shildes), Em Algum Lugar do Passado (estrelado pelo ex-Superman Chrystopher Reeve), Fama, e Bye, Bye Brasil. O Império dos Sentidos, do japonês Nagisa Oshima, com suas cenas de sexo explícito, atiçou a curiosidade dos cinéfilos e a ira dos conservadores.
Rita provavelmente não dispunha de muito tempo para ler. Se leu alguma coisa, provavelmente foi O Que é Isso, Companheiro? do ex-exilado político Fernando Gabeira. Ou, quem sabe, deve ter folheado O Crepúsculo do Macho, do próprio Gabeira. O fato é que boa parte do Brasil leu Fernando Gabeira, Jorge Amado, Frederick Forsyth, Fernando Sabino e Alfredo Syrkis.
Não sei se Rita se Rita Lee fumava ou bebia. Se fumava, deve ter experimentado o cigarro Galaxy, o mais vendido na época. Se bebia, provavelmente degustou a vodca Eristoff.
A garotada de 1980 consumiu o jogo eletrônico Genius em massa. A mão-biônica, uma espécie de mão de brinquedo, também vendeu como água. As meninas gostavam de bonecas em miniatura como a Fofolete e a Miudinha.
Rita não deve ter dado muita bola para os Genius. Na intimidade, ela se distraía assistindo o Jornal Nacional na TV National Panacolor. Ou teria sido Philco? Ou Sharp, outra marca popular no início dos 80?
Os produtos mais vendidos para o lar eram grills. A lavadora de roupas Lavínia foi bastante popular. A marca de geladeiras Frigidaire tinha muita saída em redes de lojas como Mappim e Casas Bahia. Entre os aparelhos de som, os campeões de vendas eram os das marcas National, Philips, CCE e Polyvox.
Os maior modismo de 1980 foram os patins. A tanga e o topless causaram furor nas praias (Alguém lembra de Fernando Gabeira usando tanga?). Os óculos de sol Porsche e Carrera também foram hits. Mas nada comparado com os patins! Nem as pulseiras Sabona venderam tanto. Exércitos de patinadores tomaram a orla carioca e as calçadas de São Paulo. Patinadores apareceram no clipe da música Xanadu, de Olivia Newton-John, e de Lança Perfume de Rita Lee. Aliás, a própria Rita aparece de rodinhas nos pés.
O LP Rita Lee vendeu mais de 400 mil cópias. A turnê Lança Perfume lotou casas de shows. Uma das mais cheias foi o Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. Rita foi convidada para fazer comerciais de TV, estrelar especiais na Globo e fazer shows no exterior. E assim tem sido nos anos seguintes. Rita nunca saiu de moda. O ano de 1980, com suas modas e modismos se foi, mas Rita Lee continua.

29/10/09

BALAS, PIRULITOS E SORVETES QUE DEIXARAM SAUDADES


Você participa da comunidade "Eu engasguei com bala Soft" do Orkut? Ela existe e faz alusão às balas redondinhas da marca Soft, uma preferidas da garotada dos anos 70. Vinha nos sabores laranja, limão, cereja, abacaxi, morango e uva. As balas Soft tinha grande aceitação, assim como os...

DROPS DULCORA - os drops Dulcora tinham vários sabores, todos na mesma embalagem. A gente dificilmente sabia qual era o próximo sabor.

BALAS CHITA - vinha com o desenho da famosa macaca do Tarzan na embalagem.

CHICLETES PING PONG E PLOC - Concorrentes, os chicletes Ping Pong e Ploc tinham poucos sabores. Costumavam vir com figurinhas como a dos heróis Marvel da Ping Pong.

DADINHO - Bala de amendoim em formato quadrado e embalagens individuais. É vendido até hoje.

BALAS JUQUINHA - Tinha vários sabores, inclusive de banana. Era grudenta e vinha em embalagem de papel, que sempre grudava na bala. A marca existe até hoje, com a embalagem de plástico como diferença.

PIRULITOS ZORRO - Pirulito grudento, de sabor caramelo, com formato retangular, que vinha com o desenho do famoso herói mascarado na embalagem.

GOTAS DE PINHO ALABARDA - De sabor marcante (eucaplipto), as gotas de pinho Alabarda vinha em embalagens verde e papeizinhos com diferentes mensagens.

SUPRA SUMO - Vinha dentro de uma caixa verde e branca, unicamente no sabor limão. Mais tarde, foi lançado o sabor laranja.
SORVETES GELATTO - A Gelato comercializava diversas marcas, sendo a mais famosa o Gelato. Outros sorvetes da Gelato bastante populares eram: Gol, Disco, Tubarão e Fura bolo (no formato de uma mão com o dedo indicador levantado).

BALAS DE LEITE KIDS - Era uma das mais populares entre as crianças. Não tinha um formato definido e era embalado em plástico transparente. Grudava mais nos dentes do que as balas Juquinha. É, certamente, a bala que deixa mais saudades. E nem tanto pelo sabor marcante, mas pelo jingle que sempre ouvíamos no comercial da TV. Detalhe: a música foi ouvida até 1985, quando saiu definitivamente do ar.

Roda, roda, roda baleiro, atenção!
Quando o baleiro parar, põe a mão.
Pegue a bala mais gostosa do planeta,
Não deixe que a sorte se intrometa.

Bala de leite Kids,
A melhor bala que há.
Bale de leite Kids,
quando o baleiro parar.

27/10/09

AS NOVIDADES DOS ANOS 60


A principal novidade dos anos 1960 foi a chegada do primeiro humano à Lua. O primeiro passo foi dado pelos soviéticos, em 1961, quando enviaram o primeiro homem ao espaço. Outra grande novidade foi o surgimento de um grupo chamado The Beatles. Depois deles a música nunca mais foi a mesma.
Você poderá conferir nas próximas linhas, algumas novidade que surgiram a partír de 1961, começando, obviamente pelo envio do primeiro homem ao espaço.


1961
- O russo Yuri Gagarin é o primeiro homem a ser enviado ao espaço;
- começa a construção do muro de Berlim.

1962
- John Glenn é o primeiro norte-americano a ser enviado ao espaço;
- Brasil ganha a Copa do Mundo do Chile;
- lançamento de Love me Do, o primeiro disco compacto dos Beatles;
- o USS Savannah é o primeiro navio mercante do mundo movido a energia nuclear;
- surge o hovercraft;
- surge o Learjet.

1963
- Sidney Poitier é o primeiro negro a ganhar um Oscar;
- os soviéticos enviam a primeira mulher ao espaço;
- a brasileira Ieda Maria Vargas conquista o título de miss Universo;
- surge o telefone de tecla com toque eletrônico de discagem;
- gravador cassete;
- câmera Informatik, da Kodak;
- transfusão de sangue pré-natal;
- transplante de pulmão.

1964
- Surgimento da OLP - Organização para Libertação da Palestina;
- golpe militar no Brasil;
- lançamento do jornal Zero Hora em Porto Alegre;
- trem-bala entre Tóquio e Osaka;
- automóvel Ford Mustang.

1965
- Estréia na TV o programa Jovem Guarda;
- a TV Globo entra no ar;
- Mary Quant lança mini-saia;
- aspartame;
- lentes de contato gelatinosas.

1966
- Início da Revolução Cultural na China;
- movimento Black Power nos Estados Unidos;
- início da publicação do Jornal da Tarde;
- cartão de crédito Mastercharge (conhecido mais tarde como Mastercard);
- cabos telefônicos de fibra ótica.

1967
- Na África do Sul, é realizado o primeiro transplante do coração;
- estréia, na TV Record, o humorístico A Família Trapo;
- é publicada a primeira edição da revista Rolling Stone;
- relógios de quarzo;
- forno de microondas comerciais;
- testes de bafômetro para motoristas;
- mísseis balísticos de ogivas múltiplas.

1968
- Ocorrem protestos estudantis em diversos países;
- estréia da peça Hair, na Broadway;
- laringe artificial;
- disco de platina (Wheels of fire, do Cream, vende um milhão de cópias)

1969
- Chegado do primeiro humano à Lua;
- ocorrer o mitológico Festival de Woodstock;
- em São Paulo, entra no ar a TV Cultura;
- surge o semanário O Pasquim;
- prêmio Nobel de economia;
- vacina contra a rubéola;
- avião a jato Jumbo, da Boeing.

1970
- Brasil é campeão da Copa do Mundo do México;
- maratona da cidade de Nova York;
- metrô na cidade do México;
- divórcio na Itália;
- loteria esportiva no Brasil;
- World Trade Center, em Nova York.

26/10/09

OS DESENHOS DE HANNA-BARBERA


Quais eram melhores, os desenhos da Disney ou os de Hanna-Barbera? Meus coleguinhas de infância juravam que eram os dos estúdios de William Hanna e Joseph Barbera. Embora achasse a comparação sem sentido, eu apostava nos desenhos da Walt Disney. O que vinha à mente eram clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões, Os 101 Dálmatas, A Bela Adormecida, Dumbo, Cinderela, Pinóquio e o inesquecível Fantasia. Mas a verdade era que a maior parte dos desenhos da Disney tinham sido produzidos para o cinema, enquanto os de Hanna-Barbera, para a TV.
Os desenhos de Hanna-Barbera foram transmitidos por diversas emissoras em diferentes horários. No horário do almoço, eram transmitidos no Globo Cor Especial (“Não existe nada mais antigo/Do que cowboy que dá cem tiros de uma vez...”), da Globo. Nos finais da tarde (antes do surgimento dos jornalísticos locais como o SPTV), a emissora costumava exibir desenhos como A Formiga Atômica, Esquilo Sem-grilo, Elefantástico, Xodó da Vovó, Treme-Treme, Zé Buscapé, Lula Lelé, Careta e Mutreta e Feiticeira Faceira. Mas eles não eram os únicos. Vieram apenas se somar às inúmeras produções da Hanna-Barbera, transmitidas no Brasil desde a década de 1960. Veja a seguir, uma lista desses desenhos que, a bem dizer, são verdadeiros clássicos. E que deixam saudades, não apenas dos personagens, mas de nossa infância.
(Um detalhe importante: alguns ainda são exibidos por emissoras como SBT.)

SCOOBY DOO
OS FLINTSTONES
OS JETSONS
VOVÔ VIU A UVA
OS MUZZARELAS
URSUAT
DINO BOY
OLHO VIVO E FARO-FINO
OS IMPOSSÍVEIS
TOM E JERRY
JOHNNY QUEST
A TURMA DA GATOLÂNDIA
TARTARUGA TOUCHÉ
DEVLIN, O MOTOQUEIRO
MOSQUITO, MOSQUETE E MOSCATO
OS BRASINHAS DO ESPAÇO
MISSÃO MÁGICA
SUPER-GLOBETROTHERS
LABORATÓRIO SUBMARINO
AS AVENTURAS DE GULLIVER
LUPE LEBÔ
CORRIDA MALUCA
GOOBER E OS CAÇADORES DE FANTASMAS
MOBY DICK
HONK KONG FU
MAGUILA, O GORILA
O JOVEM SANSÃO
CARETA E MUTRETA
JOÃO GRANDÃO
FAMÍLIA ADAMS
CARANGOS E MOTOCAS
JOSIE E AS GATINHAS
MANDA-CHUVA
É O LOBO
SHAZAN
BICUDO, O LOBISOMEN
OS APUROS DE PENÉLOPE
CHARLIE CHAN
WALLYGATOR
PLIC, PLOC E CHUVISCO
D'ARTAGNAN E OS TRÊS MOSQUETEIROS
FANTASMINHA LEGAL
ROBOBOS
PETER POTAMUS
CAPITÃO CAVERNA E AS PANTERINHAS
GALAXY TRIO
MIGHTOR
FALCÃO AZUL E BIONICÃO
HOMEM-PÁSSARO
A ARCA DO ZÉ COLMÉIA
JOSIE E AS GATINHAS NO ESPAÇO
JUCA BALA E ZÉ BOLHA
URSO DO CABELO DURO
OS CAVALEIROS DA ÁRABIA
FRANKSTEIN JR.
BACAMARTE E CHUMBINHO
PEPE LEGAL
RABUGENTO
O VALE DOS DINOSSAUROS
GODZILA
BAM-BAM E PEDRITA
HO-HO OLIMPICOS
DOM PIXOTE
SPACE GHOST
BIBO PAI E BOBI FILHO
MATRACA E FOFOQUINHA
OS HERCULÓIDES
LEÃO DA MONTANHA
COELHO RICOCHETE E BLAU-BLAU
CLUE CLUB

23/10/09

JOE, O FUGITIVO E OUTROS BICHOS


Você lembra do cão pastor-alemão, Joe? Aposto que não. Mas muita gente lembra muitíssimo bem, principalmente meus vizinhos que encontraram um cão parecido na rua e o batizaram de… Joe.
Joe foi protagonista de uma série de TV norte-americana (“Run, Joe, Run”, no original) transmitida pela Rede Globo nos anos 70. Contava a história de um cão pertencente a uma organização militar chamada K-9 (acho que já vi esse nome antes!) que fugiu depois de ser acusado de atacar seu treinador. Na verdade, Joe sentiu que podia ser sacrificado e, para escapar do seu destino, acabou fugindo. O único personagem que acreditava na inocência de Joe era Sargento Corey, que o procurou durante muito tempo. Sgto Corey sempre estava a um passo de encontrar Joe, sem nunca consegui-lo. Consta que eles se encontraram na segunda temporada, da qual não tenho informações se foi transmitida no Brasil.
O pastor-alemão Joe foi apenas um entre muitos animais que nós amamos na TV. Antes dele, dois outros pastores-alemães tinham feito sucesso no Brasil: Rin Tin Tin e Lobo. Rin Tin Tin foi o cão do cabo Rusty, o jovem adotado pelos soldados de um forte no interior dos Estados Unidos. Lobo, muita gente deve lembrar, era o nome do cão do personagem principal da série brasileira O Vigilante Rodoviário.
Outro cão inesquecível é Lassie. A popularidade da collie Lassie chegou a um ponto que ela protagonizou longa-metragem e até desenho animado.
Outros animais que amamos e não esquecemos: Silver (o cavalo de Zorro), Clarence (o leão do seriado Daktari), Chita (a chimpanzé de Tarzan, o eterno homem-macaco) e Flipper (golfinho personagem do seriado de mesmo nome).