26/03/13

1992 - O ANO DOS CARA-PINTADAS


É impossível falar de 1992 sem mencionar os protestos pelo impeachment do presidente Fernando Collor, a Eco-92, a atriz Sharon Stone e as duplas sertanejas Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano e Gian e Giovani.
Uma das duplas de maior sucesso do final dos anos 80 e início dos 90 foi Leandro e Leonardo. Naturais de Goiás, os irmãos Luís José da Costa e Emival Eterno Costa começaram a se tornar conhecidos fora do estado de origem em 1986, ano de lançamento do álbum Leandro e Leonardo Volume 1. Está certo que o disco (que por esses anos eram lançados em CD e Vinil) não fez lá muito sucesso, mas significou o pontapé inicial para uma carreira de glórias nas rádios, emissoras de TV e palcos. O segundo e o terceiro trabalho foram mais bem sucedidos. Mas nada como o quarto, batizado de Leandro e Leonardo Volume 4, de 1990. Foram mais de 3 milhões de cópias vendidas de Sul a Norte, do Oiapoque ao Chuí. Enfim, a dupla se tornara familiar a todos os brasileiros! Pudera, as músicas mal chegavam às rádios e já estavam na boca do povo. Foi assim com Pra Nunca Dizer Adeus, Desculpe Mas eu Vou Chorar e, principalmente, Pense em Mim.
Em 1992, chegava ao mercado o sexto trabalho de Luís José (Leandro) e Emival (Leonardo) que, infelizmente, não vendeu tanto quanto os anteriores. Mas ainda assim, eles permaneciam no auge, colhendo os bons frutos da fama.
Leandro & Leonardo dividiram os holofotes com diversas duplas sertanejas, especialmente Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano, João Paulo e Daniel e Gian e Giovani. Na mesma época, estavam em evidência o axé de Daniela Mercury, o pagode do Raça Negra e o grunge do Nirvana. Entre as baladas estrangeiras mais tocadas nas rádios, não podemos esquecer de citar as belíssimas November Rain, do Guns N’Roses, e I Will Always Love You, de Whitney Houston. A música de Houston integrava a trilha sonora do filme O Guarda-Costas, protagonizado pela cantora em parceria com o astro Kevin Costner.
Considerado um dos melhores atores e diretores do período, Kevin Costner protagonizou filmes como Robin Hood, Os intocáveis, Dança com Lobos, O Guarda-Costas e JFK – A Pergunta que Não Quer Calar. A trilha sonora de O Guarda-Costas é uma das mais bem sucedidas da história da indústrica fonográfica (o mérito, vamos ser francos, deve-se em grande parte, a voz poderosa de Whitney Houston). Com direção de Oliver Stone, o drama JFK perdeu o Oscar de melhor filme de 1992 para o terror psicológico O Silêncio dos Inocentes.
À propósito, os produtores norte-americanos não tiveram do que reclamar naquele ano. Enquanto o cinema brasileiro agonizava, Hollywood lançava um mega-sucesso atrás do outro. Algumas das melhores produções da década de 1990 são desse período. Uma delas é o violento Cães de Aluguel, o primeiro filme da carreira do diretor Quentin Tarantino. Outro, é Perfume de Mulher, um dos melhores trabalhos do ator Al Pacino no cinema. Devo ainda lembrar O Óleo de Lorenzo, Cabo do Medo, Tomates Verdades Fritos, Malcolm X, Os Imperdoáveis, A Mão Que Balança o Berço, Máquina Mortífera 3, Batman – O Retorno, Aladdin e Instinto Selvagem.
De origem australiana, o filme Vem Dançar Comigo reavivou o gosto pelo bailado e dança de salão. O número de novos alunos nas academias de dança disparou. Homens, mulheres e até adolescentes desejavam aprender os passos do personagem-dançarino Scott Hastings. Um detalhe curioso: a música do filme mais executada nas rádios foi Love is in the Air, lançada inicialmente em 1978 por Jonh Paul Young.
Ao mesmo tempo em que pintavam a cara para sair em protesto contra a corrupção no governo de Fernando Collor de Mello, os jovens daquele ano liam Paulo Coelho e faziam comentário atrás de comentário sobre o desempenho de Sharon Stone no filme Instinto Selvagem. Rapazes e marmanjões principalmente! Mas que dobrada de perna era aquela? Será que Sharon tinha realmente dispensado a calcinha?
Não foi só Sharon Stone que esteve na boca do povo. Falou-se muito no político Ulisses Guimarães, morto num trágico acidente de helicóptero no litoral do estado do Rio de Janeiro. E mais ainda de Daniella Perez. A atriz foi assassinada a golpes de tesoura pelo ator Guilherme de Pádua e sua esposa Paula Tomás. Daniela e Guilherme atuavam na novela De Corpo e Alma, de autoria de Glória Perez, mãe da atriz. A morte de Daniela deixou o país em estado de choque. O folhetim foi bruscamente interrompido, visto que Glória não tinha mais condições psicológicas de tocar o projeto.
A personalidade mais citada do ano, no entanto, foi o então presidente da Repúplica Fernando Collor de Mello. Acusado pelo próprio irmão Pedro Collor de liderar um esquema de corrupção, Collor foi alvo de dezenas de protestos em todo o país. O povo não só pedia mais ética na política, como desejava a cabeça do presidente. Os cara-pintadas – como eram chamados os jovens que aderiam às manifestações – lotaram a Candelária, no Rio de Janeiro, e a Praça da Sé, em São Paulo. Em Brasília foram 60 mil manifestantes; em Salvador, 80 mil; e em Recife, 100 mil. Num dos protestos, quase todos foram às ruas de preto. Collor tentou se defender com pronunciamentos em rede nacional, entrevistas para a imprensa e discursos no meio político. De nada adiantou. Em setembro daquele ano, a revista Veja publicava uma edição especial com a seguinta chamada de capa: “Caiu!”. Com 448 votos a favor, o Congresso Nacional aprovava o impeachment do presidente. Com o afastamento de Collor, o vice Itamar Franco assumiu provisoriamente o cargo.  
Em parte, os cara-pintadas se inspiraram na produção Anos Rebeldes, exibida nos finais de noite pela Rede Globo. Protagonizada por Malu Mader, Cláudia Abreu e Cássio Gabus Mendes, a minissérie de autoria de Gilberto Braga, contava a história de jovens que lutavam contra o regime militar. Eles não só aderiram à luta armada, como participavam de manifestações de rua. Para um jovem indignado, sair às ruas talvez fosse a melhor solução na luta contra um regime visto como corrupto.
Outro modismo lançado pela TV foi o “clube das mulheres”. Moças jovens e de meia idade, além de muitas senhoras com mais anos de vida, perderam o pudor e se reuniram em festas e apresentações com shows de striptease masculino. Quem surgiu com a idéia foi Glória Perez, justamente na novela De Corpo e Alma.
Mais um modismo: o infanto-juvenil Família Dinossauros. Exibida aos domingos pela mesma Globo, o seriado contava as aventuras de uma família de classe média da pré-história. Um dos principais personagens era Dino da Silva Sauro, o chefe do clã. Carismático como Fred Flintstone e atrapalhado como Homer Simpson, Dino arrancava gargalhadas dos fãs. Mas “não era a mamãe”. Ou melhor, não era o Baby, o caçula da família. Com o bordão “não é a mamãe”, Baby consquistou a simpatia de milhões de pessoas Brasil afora. Surgiram revistas, brinquedos, jogos, enfeites para festas, uma infinidade de produtos com a família jurássica. O brinquedo mais vendido? O boneco do Baby.
Além de se ocupar com o impeachment de Fernando Collor, a imprensa teve trabalhou em dobro para cobrir a escandalosa separação dos príncipes britânicos Charles e Diana. Outro assunto que tomou as primeiras páginas dos jornais foi a chacina do Carandiru, quando mais de 100 presos foram mortos pelas forças policiais que invadiram o complexo penitenciário da Zona Norte de São Paulo. A Bósnia-Herzegovina estava em guerra. Bill Clinton, ex-governador de Arkansas, tomava posse como presidente dos Estados Unidos da América. A cidade espanhola de Barcelona abrigava os Jogos Olímpicos de Verão. E, no Rio de Janeiro, ocorria a Conferência das Nações Unidas Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Eco-92.
Delegações do mundo todo estiveram na Cidade Maravilhosa para discutir, entre outros temas polêmicos, as mudanças no clima, a criação de fontes de energia alternativa e a proteção de reservas florestais. Os jovens mais engajados fizeram questão de participar do evento para, é claro, protestar. Protestou-se contra tudo e contra todos. O Rio se transformou numa verdadeira aldeia global de consenso e contra senso.
Mas nem todos estavam interessados no impeachment do Collor – e muito menos na Eco-92. Para alguns, interessante mesmo era o fim da reserva de mercado para computadores. Os brasileiros finalmente podiam adquirir computadores e impressoras importados. Mais antenados com as novas tecnologias, muitos mantinham grande interesse pelo Macintosh, um computador com interaface moderna e fácil de operar daquela empresa com o logo da maçãzinha colorida, a Apple.      
Os mais moderninhos (e de maior poder aquisitivo, é claro) usavam pagers e compravam automóveis importados.  Mas novidade interessante mesmo era a TV por assinatura. Com uma taxa mensal, as pessoas podiam pagar para ter acesso a um cabo que captava um número extraordinário de canais. Um deles era a norte-americana CNN, com notícias 24 horas por dia.
Roberto Shinyashiki e Louse L. Hay encabeçavam a lista de autores de livros de auto-ajuda com maior vendadagem nas livrarias. Em ficção, os mais vendidos foram Danielle Steel (O Brilho da Estrela), Sidney Sheldon (Juízo Final) e Frederick Forsyth (O Manipulador). Devo lembrar que Paulo Coelho ainda estava na crista da onda.
A dupla Leandro & Leonardo se desfez em 1998, com a morte de Leandro, vítima de câncer de pulmão. Leonardo seguiu carreira solo, e já em 1999 lançou o seu primeiro disco sem o irmão.

18/05/12

ALGUMAS CURIOSIDADES SOBRE OS ANOS 70


O primeiro telejornal de grande popularidade da TV brasileira foi o Repórter Esso, que estreou em 1953. O Repórter Esso foi apresentado de 1953 a 1970, quando saiu definitivamente do ar.

A falência da TV Tupi no início dos anos 80 fez com que Drácula, novela em exibição na época, ficasse inacabada. Episódio semelhante só aconteceu com a extinção da TV Manchete em 1988, que deixou a novela Brida pela metade.

Aúnica novela que conseguiu 100% de audiência foi Selva de Pedra (versão original), exibida pela Rede Globo nos anos 70.

Os integrantes dos Beatles lançaram álbuns solo pouco tempo depois da separação do grupo, em 1970.

Um estilo de música que fazia bastante sucesso nos anos 70 era a de cunho nacionalista, como Eu Te Amo, Meu Brasil (de Dom e Ravel).

O álbum Saturday Night Fever, do filme Os Embalos de Sábado à Noite, é a trilha sonora mais vendida da história da música fonográfica.

O grupo Bee Gees – um dos mais representativos da onda “disco” – continua mais ativo do que nunca. Só para se ter uma idéia, eles lançaram cerca de 10 álbuns nos últimos cinco anos (1991 a 2011).

Elvis Presley é uma das personalidades mortas que mais faturam com músicas e licenciamentos. Detalhe: Elvis morreu em 1977.

Os filmes catástrofe nunca estiveram tão em moda como nos anos 70. Um dos mais famosos foi o drama Inferno na Torre. Outros filmes bastante comentados: Aeroporto, Tempestade, O Destino do Poseidon, Furacão, Terremoto…

As crianças e adolescentes das grandes cidades tinham o hábito de ir dormir tarde para assistir pela TV uma sessão de filmes eróticos chamada Sala Especial (escondidos dos pais, é claro).

Um dos gêneros mais assistidos no cinema foi a pornochanchada. Os filmes tinham títulos como Como é Boa a Nossa Empregada, A Virgem e o Machão, Com Amor e Vaselina, O Padre que Queria Pecar e Oh, Que Delícia de Patrão.

Um dos filmes brasileiros mais vistos nos 70 foi A Dama do Lotação, com Sônia Braga. A Dama do Lotação foi assistido por cerca de 10 milhões de pessoas.

A última Copa do Mundo que Pelé disputou foi a de 1970, no México, quando o Brasil ganhou o tricampeonato.

O Internacional de Porto Alegre ganhou, em 1976, o octacampeonato gaúcho, ou seja, foi campeão por oito vezes seguidas.

A primeira chamada de um telefone móvel (antepassado dos modernos celulares) para um fixo foi feita pela empresa Motorola em 1973.

A primeira transmissão de TV a cores no Brasil foi a Festa da Uva de Caxias do Sul, em 1972.

Até 1971, quando foram instalados os primeiros orelhões, não existiam telefones públicos de rua.

Inaugurado em 1972, o metrô de São Paulo foi o primeiro a ser construído no Brasil.

14/05/12

80 HITS DOS ANOS 80



Kim Carnes - Bette Davis Eyes

Lionel Richie & Diana Ross - Endless Love

John Lennon - Woman

Gino Vannelli – Living Inside Myself

Gilbert O’Sullivan – What’s in a Kiss

Carly Simon – Hurt

Olivia Newton-John – Physical

Earth, Wind & Fire – Let’s Groove

Paul McCartney & Steve Wonder – Ebony & Ivory

Chicago – Hard to Say I’m Sorry

Survivor – Eye of the Tiger

Laura Branigan – Gloria

J. Geils Band – Centerfold

Joan Jett & the Blackhearts – I Love Rock’n ‘Roll

Daryl Hall & John Oates – I Can’t Go For That

Human League – Don’t Want Me

Adrian Gurvitz – Classic

Ray Parker Jr. - The Other Woman

Michael Jackson – Billie Jean

Michael Jackson – Beat It

Billie Joel – Uptown Girl

Culture Club – Do You Really Want Hurt Me

Irene Cara – Flashdance… What a Feeling

Spandau Ballet – True

Supertramp – It’s Raining Again

Marvin Gaye – Sexual Healing

Eddy Grant – Eletric Avenue

Bonnie Tyler – Total Eclipse of the Heart

Duran Duran – Save a Prayer

Gazebo – I Like Chopin

Brian Adams – Straight from the Heart

Kenny Roger & Sheena Easton – We’ve Got Tonight

Paul Anka & Peter Cetera – Hold Me ‘Till the Morning Comes

Steve Wonder – Is Just Called To Say I Love You

Michael Jackson – Thriller

Lionel Richie – All Night Long

Yes – Owner of a Loney Heart

Kool & the Gang – Joanna

Rockwell – Somebody’s Watching Me

Phil Collins – Against All Odds

Culture Club – Karma Chameleon

Van Halen – Jump

Paul McCartney & Michael Jackson – Say, Say, Say

Huey Lewis & The News – Heart and Soul

Billy Idol – Eyes Whithout a Face

Bruce Springteen – Dancing in the Dark

Jimmy Cliff – Reggae Night

Tina Turner – Let’s Stay Together

USA for Africa – We Are the World

Dire Straits – Money For Nothing

Prince – Purple Rain

Scorpions – Still Loving You

Jim Diamond – I Should Have Known Better

Tears for Fears – Shout

Century – Lover Why

Diana Ross – Missing You

Alphaville – Forever Young

Whitney Houston – Greatest Love of All

Berlim – Take my Breath Away

Elton John – Nikita

Simply Red - Holding Back the Years

Peter Gabriel – Sledgehammer

Chris deBurgh – Lady in Red

Europe – Carrie

Los Lobos – La Bamba

Kenny Logins – Footloose

Suzanne Vega – Luka

Carly Simon - Coming Around Again

Whitesnake – Is this Love?

Peter Cetera – Glory of Love

Cindy Lauper – Girls Just Wanna Have Fun

Bill Medley & Jennifer Warnes – (I had) Time of my Life

Patrick Swayze – She’s Like the Wind

Kansas – Play the Game Tonight

Journey – Don’t Stop Believing

Terence Trenty D’Arby – Wishing Well

Bon Jovi – Never Say Goodbye

Bangles – Eternal Flame

Madonna – Like a Prayer

Guns N’Roses – Sweet Child O’Mine

Madonna - Material Girl

Daryl Hall & John Oates - Maneater

Outros hits: On my Own (Nikka Costa); Super Trouper (ABBA); The Winner Takes it All (ABBA); Born in the USA (Bruce Springteen); Stay (Oingo Boingo); I Won't Let You Down (PHD), Lost in Your Eyes (Debbie Gibson); You And I (Kenny Rogers & Bee Gees), Time Afeter Time (Cindy Lauper), The Final Countdown (Europe); Say You, Say Me (Lionel Richie); Let's Dance (David Bowie); Lady, Lady, Lady (Joe Esposito); Everybody (Madonna).

09/05/12

MAPPIN, MESBLA E OUTRAS MARCAS QUE DEIXARAM SAUDADES

O Mappin foi uma das mais tradicionais lojas de departamentos de São Paulo. Surgiu em 1913 e fechou em 1999, depois de 86 anos de atuação. Foi, juntamente com a Mesbla, Lojas Brasileiras, Casa Fretin, Botica Ao Veado D’Ouro, Ducal e outras lojas, uma das principais referências do comércio do Centro velho da cidade.
A famosa loja do Mappin da Praça Ramos de Azevedo foi durante algum tempo, uma filial do Extra. Mais tarde, virou ponto da Casas Bahia (que permanece até hoje).
Embora tenha deixado o mercado há mais de uma década, a marca Mappin continua viva na memória de muitos saudosistas. Assim como continuam outras marcas famosissímas: Banco Nacional, Atma, Trol, Ultralar, Tamakavi, Casas Buri, Lojas Brasileiras, Hermes Macedo, Comind, Bamerindus, Peg & Pag (rede de supermercados citada na música Gitá, de Raul Seixas), Atlantic, Cica, Peixe, Hi Fi, Telesp e Armour, entre outras tantas.
Abaixo, você pode conferir como eram os logotipos de algumas dessas empresas que foram símbolos de um Brasil (e uma São Paulo) que não volta mais.




















24/04/12

A DANIELA MERCURY, O KINDER OVO, O AYRTON SENNA E O ANO DE 1994

Terremoto em Los Angeles. Genocídio em Ruanda. Guerra na Bósnia. O ano de 1994 foi marcado por desastres causados pela natureza e por carnificinas provocadas pelo homem. Boa parte dos brasileiros, no entanto permaneceu alheia ao que acontecia no restante do mundo. E tem desculpas convincentes! Primeiro: foi em 1994 que morreu o piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, num acidente que comoveu o país. Segundo: o governo Itamar Franco criou o Plano Real, que viria a debelar a inflação e estabilizar a economia. Terceiro: ocorreram eleições presidenciais no final do ano - que, à propósito, deram vitória ao então ministro Fernando Henrique Cardoso. Quarto: faleceu o cantor, compositor, maestro e ícone da música brasileira Tom Jobim. Quinto: o Brasil consagra-se campeão da Copa do Mundo dos Estados Unidos.
O ano de 94 foi um ano de perdas e conquistas para o povo brasileiro. A criação do Real nocauteou de vez a inflação, o maior pesadelo financeiro dos anos 70, 80 e início dos 90. Foi uma grande conquista para o país, mas… Bem, para o povo, conquista de verdade foi a da Copa do Mundo! A Seleção de Dunga, Romário, Bebeto e Taffarel tinha vencido a Itália (a mesma seleção que eliminara o time dos sonhos de 1982) numa final emocionante. A partida foi decidida nos penâltis, o que deixou 99% de loucos por futebol grudados na tela da TV. Quando o jogador italiano Roberto Baggio (que, de inicio, pensou-se ser um novo Paolo Rossi) errou o chute a gol, o país explodiu de alegria. As pessoas saíram para as ruas para comemorar a conquista da primeira Copa do Mundo desde 1970, época do eterno Rei do Futebol Pelé.
O que mais rolava nas caixas de som naquele ano era o pagoda, seguido do axé. Claro que as pessoas ouviam outros estilos! O do grupo Skank, por exemplo. A da cantora Cássia Eller, com suas músicas ecléticas, também. O grupo Mastruz com Leite, uma espécie de furacão do forró, representante da “óxente music”, vendeu mais discos do que muitos nomes consagrados da música brasileira. A trilha sonora internacional da novela global A Viagem bombou nas rádios FMs (que não se lembra de Linger, do Cranberries?). E o que dizer do sertanejo romântico de Zezé di Camargo e Luciano? Mas é o pagode do Só Pra Contrariar e o axé de Daniela Mercury sempre será associado à época.
Daniela Mercury lançou o primeiro álbum e emplacou seu primeiro sucesso em 1991. A música Swing da Cor foi repetida à exaustão pelas rádios. No ano seguinte, ela apresentaria outro hit: O Canto da Cidade. Com vocal harmônico, batida forte e coreografia hipnotizante, O Canto da Cidade virou uma espécie de música obrigatória nas casas noturnas e festas. O álbum vendeu mais de dois milhões de cópias, ajudando a transformar Daniela um dos símbolos musicais do início dos anos 90. Do mesmo disco saíram outros sucessos: Batuque, Você Não Entende Nada, Só Pra Te Mostrar e O Mais Belo dos Belos. O sucesso rendeu um especial de fim de ano na Globo, alguns contratos publicitários e até um show no Festiva de Jazz de Montreaux, na Suíça.
Em 1994, saiu Música de Rua, o terceiro disco da carreira de Daniela. Ele não empolgou a crítica, nem vendeu tanto quanto o trabalho anterior. Mesmo assim, foram mais de um milhão de cópias vendidas. Daniela estava no auge e tinha um fôlego de dar inveja a muitas cantoras. Em 1994, ela foi garota-propaganda da Copa do Mundo em parceria com ninguém menos que Ray Charles. Cerca de dois anos depois, chegava o mercado o álbum Feijão com Arroz e dois novos hits: Rapunzel e À Primeira Vista. Resultado das vendas: dois milhões de cópias.
Do início da carreira até o ano de 2009, foram 12 álbuns e mais de 10 milhões de cópias vendidas. Daniela foi convidada para cantar nas comemorações dos 25 anos do Festival de Jazz e Montreal e dos 20 anos do Cirque du Soleil. De Chico César a Caetano Veloso, gravou músicas e cantou com diversos compositores de MPB. Até hoje, o seu trio elétrico é uma dos mais comentados do carnaval de Salvador.
Naquele ano de 94, despontava um grupo baiano chamado Banda Eva - que revelou a cantora Ivete Sangalo. Os brasileiros acompanhavam super festivais de música como o Hollywood Rock, patrocinado pela marca de cigarros Hollywood. Cássia Eller entoava um rock aqui, o Grupo Raça um samba ali, mas uma das maiores manias do ano foi o canto gregoriano. De repente, todos passaram a ouvir (às exaustão, é bom frisar) velhas músicas de igreja com batida pop. Pode parecer estranho para muita gente, mas é como se o coral de frades do mosteiro de São Bento cantasse ao som de teclados eletrônicos, baterias ou coisas parecidas.
Entre as inúmeras manias de 94 estão os livros tridimensionais do tipo “ Olho Mágico”, os anjos cabalísticos de Mônica Buonfiglio, o Atlas Geográfico encartado no jornal Folha de São Paulo e o Kinder Ovo. A bem dizer, o maior (e mais legal, mais inesquecível e mais duradoura) modismo foi aquele ovinho de chocolate com brinde. Lançado pela fabricante de chocolates Ferrero, o Kinder Ovo trazia sempre um brinquedinho em miniatura de brinde. A novidade agradou tanto que até adultos passaram a comprar o ovinho com o intuito de colecionar o brinquedo.
A General Motors lançou naquele ano um carro de pequeno porte chamado Corsa. O seu design arredondado chamou tanto a atenção que ele logo ganhou o apelido de Kinder Ovo.
Por falar em carros, não custa lembrar da Autolatina. A Autolatina foi fruto da associação entre a alemã Volkswagen e a norte-americana Ford. Muitos consumidores não viram aquilo com bons olhos, uma vez que as empresas passaram a lançar modelos extremamente parecidos (Volks Logus e Ford Verona, por exemplo). De fato, a associação durou até o início de 1995 – prova de que talvez não tenha sido tão vantajosa para as duas empresas.
Marcas de automóveis como Nissan, Mitsubishi, Renault, Honda, BMW, Kia e Asia passaram a ser mais conhecidas dos brasileiros. O Mitsubishi Eclipse era o carro esportivo dos desejos de todas as classes sociais. A van Besta, importada pela coreana Kia Motors, virou, no decorrer dos anos seguintes, a preferida dos motoristas de lotações que, quase da noite para o dia, passaram a disputar passageiros com os ônibus de São Paulo, da região do ABC, do Rio de Janeiro e outras grandes cidades. A maioria das pessoas que dependia de transporte público deve ter alguma vez voltado para casa numa Besta. A Towner, mini-van da também coreana Asia Motors, despertou a curiosidade pelo seu design e tamanho. Foi, no entanto, como veículo de “dogueiros” e outros vendedores ambulantes que conquistou o mercado.
Os adolescentes daquela primeira metade dos anos 90 começavam a se interessar pela cultura hip hip, usavam tênis New Balance, tinham curiosidade de experimentar a Cherry Coke, assistiam Beavis & Butt-Head e até escolhiam por telefone o final do programa global Você Decide.
Um dos sonhos de consumo era um computador 386 com 4 MB de Ram e 30 MB de HD. Aquilo, sim, era um computador bom e acessível.
Os filmes mais assistidos dessa moçada foram Forrest Gump, Entrevista com o Vampiro e O Rei Leão. Um dos personagens mais folclóricos das eleições foi o candidato do partido Prona Enéas Carneiro. Com o bordão “Meu nome é Enéas”. Não havia quem não conhecesse o barbudo Enéas. Mas, para grande parte dos jovens, os personagens mais inesquecíveis daquele ano foram Ayrton Senna e Kurt Cobain.
O ex-líder da banda Nirvana Kurt Cobain tinha se matado com um tiro na cabeça. Ayrton Senna morreu numa curva fatal do Grande Prêmio de Imola de Fórmula 1. Milhares de pessoas acompanharam o seu velório nas ruas de São Paulo. Algumas não conseguiam conter a emoção. Senna representava um Brasil vitorioso e promissor. Por isso que poucos lembram do que ocorreu na Bósnia e em Ruanda.

17/04/12

CURIOSIDADES SOBRE O MUNDO DE HARRY POTTER


J. K. Rowling, ou Joanne Kathleen Rowling, autora da série Harry Potter nasceu na cidade de Yate, no Reino Unido em 31 de julho de 1965.

O nome da autora é, na verdade, Joanne Rowling. O Kathleen faz parte apenas do pseudônimo e foi escolhido em homenagem a sua avó preferida, Kathleen Rowling.

Os livros de J. K. Rowling foram traduzidos para 67 línguas e venderam mais de 325 milhões de cópias ao redor do mundo.

J. K. Rowling foi a primeira pessoa a tornar-se bilionária apenas com a venda de livros e direitos autorais sobre seus personagens. Os 400 milhões de livros vendidos por Rowling e os direitos sobre o uso da imagem de Harry Potter e outros personagens da saga, renderam à autora uma fortuna de mais de 1 bilhão de dólares.

J. K. Rowling é a segunda personalidade feminina mais rica do mundo, atrás apenas da apresentadora norte-americana Ophah Winfrey.

Em 2006, a revista Forbes elegeu pela primeira vez J. K. Rowling como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo.

Mais uma sobre a fama de J. K. Rowling: ela foi eleita pela Enciclopédia Britânica uma das 300 mulheres que mudaram o mundo.

A criadora de Harry Potter é uma das personalidades que mais contribuem com trabalhos beneficentes e faz doações para projetos sociais. J. K. Rowling a escrever livros cuja renda foi toda revertida para projetos sociais.

Rowling foi acusada de plágio pelas semelhanças de Harry Potter com um dos personagem da série em quadrinhos Livros da Magia, de Neil Gaiman.

A idéia das aventuras de Potter surgiu durante uma viagem de trem da autora e os primeiros manuscritos foram rabiscandos em papel barato.

Antes de chegar às livrarias, o primeiro volume da série – Harry Potter e a Pedra Filosofial – foi rejeitado por oito editoras. Detalhe: o livro levou cerca de cinco anos para ficar pronto.

A saga Harry Potter ajudou a criar o hábito da leitura entre as crianças britânicas e norte-americanas (e, provavelmente, de outras partes do mundo). Uma pesquisa realizada nos EUA confirmou que 51% das crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos não tinham o hábito de ler por diversão antes do lançamento dos dois primeiros livros do bruxinho.

Se você escrever o nome Harry Potter no Google, surgirá a incrível quantidade de 119 milhões de resultados.

O Vaticano desaconselhou a leitura de Harry Potter. As histórias do bruxinho também foram duramente criticadas por grupos evangélicos norte-americanos e brasileiros. Ainda hoje há pessoas que proibem os filhos de lerem Harry Potter com justificativas como a de que “não é coisa de Deus”.

Os livros da saga Harry Potter são: Harry Potter e a Pedra Filosofal, Harry Potter e a Câmara Secreta, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry Potter e o Cálice de Fogo, Harry Potter e a Ordem da Fênix, Harry Potter e o Enigma do Príncipe e Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Os filmes de Harry Potter são a franquia cinematográfica de maior lucro da história do cinema, deixando para trás séries consagradas como O Senhor dos Anéis, Star Wars, Indiana Jones e outras.

Uma das exigências da autora J. K. Rowling foi que o elenco de Harry Potter no cinema fosse britânico. Por isso, de todos os atores que participam da franquia nas telonas, apenas três não nasceram no Grã-Bretanha.

O ator Daniel Radcliffe (ou Daniel Jacob Radcliffe, seu nome verdadeiro) era quase desconhecido quando foi convidado para interpretar Harry Potter nos cinemas. Antes de Harry Potter e a Pedra Filosofial, o único filme de grande repercussão em que ele participou foi David Copperfield.

Uma curiosidade muito interessante: antes de Daniel Radcliffe ser escolhido para o papel de Harry, foram testadas nada mais, nada menos do que 60 mil crianças.

Steven Spielberg, Alan Parker e Terry Gilliam (a primeira escolha de J. K. Rowling) foram alguns dos diretores cotados para dirigir o primeiro filme do bruxinho. Se tivesse dirigido Harry Potter e a Pedra Filosofial, Steven Spielberg teria escolhido Halen Joel Osment para interpretar Harry.

Harry Potter e as Relíquias da Morte, último filme da série, será exibido em duas partes – a primeira em 2010 e a segunda, em 2011.

A Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts foi fundada por volta do ano 1.000 d. C.. Ela possui 280 alunos, 70 em cada casa e cinco em cada dormitório.

As casas de Hogwarts são Slytherin, Ravenclaw, Hufflepuff e Gryffindor. Elas receberam esses nomes em homenagem a seus fundadores: Salazar Slytherin, Rowena Ravenclaw, Helga Hufflepuff e Godric Gryffindor.

As casas de Hogwarts receberam os seguintes nomes no Brasil: Slytherin (Sonserina), Ravenclaw (Corvinal), Hufflepuff (Lufa-Lufa) e Gryffindor (Grifinória).

Entre as matérias dos alunos de Hogwarts estão Astronomia, Quadribol, Trato de Criaturas Mágicas, Herbologia, Poções, Defesa Contra as Artes das Trevas e, claro, Feitiços.

Os melhores amigos de Harry Potter são os bruxinhos Hermione Granger e Ron Weasley.

As criaturas mágicas que aparecem na série são: Hipogrifo, Basilisco, Acromântulas, Trestálios, Cão Gigante de Três Cabeças, Grindylow, Dementadores, Sereianos, Pelúcios, Fênix e Bichos-papões.

O Cão Gigante de Três Cabeças foi inspirado em Cérbero, um cão mitológico grego que guardava a entrada do Hades, o reino dos mortos. Outras criaturas mitológicas gregas inspiraram a autora de Harry Potter, como a Fênix, o centauro, o unicórnio e as sereias.

O feitiço avada kedavra, usado por Lord Voldemort para matar os pais de Harry, é o mais letal da série. A verdade é que ela vem do aramaico abhadda Kedrabra (que originou outra expressão bastante conhecida: abracadabra) e significa “desapareça deste mundo”. A expressão abhadda Kedrabra era usada por feiticeiros apenas na cura de doenças.

A mandrágora, planta que aparece na série, era usada em porções analgésicas e calmantes. As pessoas realmente acreditavam que ela berrava ao ser arrancada do solo e que seu grito era capaz de matar qualquer um.


Fonte: http://maisquecuriosidade.blogspot.com

11/04/12

FÁBIO JR. E O ANO DE 1979


As discotecas, a TV Tupi, o grupo ABBA e a ditadura militar começavam a sair de cena quando, no nem tão longinqüo ano de 1979, Fábio Jr. estourou nas paradas com a música Pai.
Na verdade, Pai foi tema de abertura da novela Pai Herói, de Janete Clair, transmitida no horário das 20h00 pela Rede Globo. Não podemos afirmar que foi uma música que marcou a época, por que marcou todas as épocas. Desde que foi lançada, Pai é tocada exaustivamente nas festas de aniversários de patriarcas e homenagens aos pais que se foram. Impossível imaginar quantos não choraram com o PPS com os fotos de velho (ou não tão velho) com a canção de Fábio Jr. de fundo.
Fábio Correa Ayrosa Galvão, ou Fábio Jr., lançou seu primeiro disco com o grupo Os Namorados no início dos anos 70. A música principal era Rio Amarelo, uma versão de Yellow River, de Christie. A outra era A Saudade Que Ficou, composta pelo próprio Fábio. O primeiro trabalho solo saiu em 1975. Já o primeiro grande trabalho como ator foi na novela Despedida de Casado, infelizmente, proibida pela censura. O que pouca gente sabe é que Pai foi lançada no seriado Ciranda Cirandinha, exibida pela Globo em 1978. Foi a música que inspirou a novela, não o contrário.
Ciranda Cirandinha catapultou a carreira de Fábio Jr. como ator e cantor. Como ator, participou de novelas inesquecíveis como a primeira versão de Cabocla (ao lado de Glória Pires, com quem acabou se casando e separando algum tempo depois), além de Água-Viva, O Amor é Nosso, Roque Santeiro e Pedra sobre Pedra. Em Roque Santeiro (de 1985) interpretou o ator Jorge Mathias e em Pedra sobre Pedra (1992) o fotógrafo mulherengo Jorge Tadeu, dois dos seus personagens mais memoráveis. Como cantor, lançou músicas do porte de Esses Moços (da abertura de Olhai os Lírios do Campo), Eu me Rendo (de O Amor é Nosso), Vinte e Poucos Anos, Quando Gira o Mundo e Sem Limites para Sonhar - esta com participação da cantora internacional Bonnie Tyler.
Enquanto o Brasil se emocionava com o amor impossível de André e Carina - personagens principais de Pai Herói, interpretados pelos atores Tony Ramos e Elisabeth Savalla -, Fábio Jr. contracenava no filme Bye Bye Brasil, de Cacá Diegues, ao lado dos atores Betty Faria e José Wilker. Foi uma das grandes bilheterias nacionais daquele final de anos 70 e início dos 80. Bye Bye Brasil deve ter perdido apenas para O Cinderelo Trapalhão em venda de ingressos.
Os filmes mais falados de 1979 foram All that Jazz, Tess e Kramer versus Krammer. Com direção de Ridley Scott, Alien – o 8º Passageiro deixou as platéias com os cabelos em pé. O Campeão, de Franco Zeffirelli, fez o público chorar rios de lágrimas. Hair, de Milos Forman, reavivou o movimento hippie e a Era de Aquário. Roteirizado e dirigido por Sylvester Stallone, Rocky II dava continuidade a uma franquia de sucesso, ganhadora do Oscar de melhor filme. Enfim, Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, entraria para a história como um dos melhore filmes dos anos 70 – e, talvez, de todos os tempos.
As novelas mais comentadas foram Os Gigantes, Cabocla, Marrom Glacê, Feijão Maravilha e, obviamente, Pai Herói. Lembrando que o tema de Marrom Glacê foi cantado pelo saudoso cantor Ronaldo Resedá, e o de Feijão Maravilha, pelo grupo As Frenéticas. A música Danci’n Days, da abertura da novela de mesmo nome de 1978, é até hoje ligada à onda disco– além de tocada repetidamente nas festas do tipo flash back.
A Globo dominava (como ainda domina, embora já não tanto quanto antes) a audiência na TV. A partír de Escrava Isaura, de 1976, suas novelas passaram a fazer sucesso no mundo todo. Só que em 1979, a emissora resolveu apostar suas fichas nas séries brasileiras. Lançou Malu Mulher (aproveitando a discussão sobre a aprovação do divórcio no Brasil), Carga Pesada e Plantão de Polícia. Interpretada pela atriz Regina Duarte, Malu encarnava uma mulher diferente da Amélia que os brasileiros conheciam até então. Malu era trabalhadora, indepentende e forte.
Os brasileiros sofriam com a alta constante dos preços. O dragão da inflação comia a renda, desvalorizava os salários e atormantava a população e o recém-empossado presidente João Figueiredo. Sob o comando de um obscuro metalúrgico conhecido como Lula, as greves agitavam o ABC paulista. No Irã, estourava a Revolução Islâmica. Todos se perguntavam onde cairia a estação espacial Skylab. O carro a álcool era a maior novidade do mercado automobístico naquela época. Outra novidade era a abertura política.
Nem todos sabiam quem era Fernando Gabeira, exilado político que, graças à anistia do governo, retornava ao Brasil. Mas sabiam de Sidney Magal. Com sua pose de cigano sensual, Magal conquistou a audiência das rádios e programas de TV populares.
Além de Fábio Jr. e Sidney Magal, ouvia-se o grupo sueco ABBA, o norte-americano Village People, o também norte-americano Chic (“Aaahh freak out! freak out! Aaahh freak out!”).
Lançada pela Som Livre, a trilha sonora internacional de Pai Herói não ficou muito atrás em vendas da trilha nacional. Mirrors, de Sally Oldfiel foi exaustivamente repetida nas vitrolas. You Need me, de Anne Murray, conquistou os corações apaixonados. Com seu coro infantile, Pigeon Whithou a Dove, de Patrick Dimons, grudou como cliclete.
Os autores mais lidos de 1979 foram J. M. Simmel, Harold Robbins, Arthur Hailey, Pedro Nava, Luís Fernando Veríssimo (quem não se lembra de Ed Mort?) e a enterna Rainha do Crime Agatha Christie.
Crianças usavam sapatos Ortopé. Adolescentes curtiam o tênis Puma. Os homens elegantes de São Paulo compravam ternos na Casa José Silva. As roupas íntimas da Poesi estavam em todos os armários femininos.
Por falar em crianças, elas adoravam o drops Dulcora e as balas Soft. Todo mundo deve ter se engasgado com as balas da Soft, sem dúvida. Mas o que causou sensação foi o lançamento de um aparelho chamado Telejogo, vendido com estardalhaço nas lojas de departamentos Mappim. O telejogo foi uma espécie de de avô do Nintendo e pai do Atari.
O ano de 1979 foi realmente memorável. É difícil esquecê-lo. Assim como é difícil esquecer a década de 70 como um todo.
Quanto à música de Fábio Jr., ela continuará sendo executada por um longo tempo. Ainda não criaram uma música melhor para o Dia dos Pais e para o aniversário do nossos coroas.