12/09/2017

O REALISMO FANTÁSTICO E OS PERSONAGENS EXÓTICOS DE SARAMANDAIA

 
Nos anos 2010, a Globo lançou versões reduzidas de diversas novelas que fizeram sucesso no passado, como o Rebu, o Astro e Saramandaia.
A primeira versão de Saramandaia foi exibida em 1976, no horário das 22h. Contou com Juca de Oliveira, Dina Sfat, Sônia Braga, Antônio Fagundes e Ary Fontoura, além de outros artistas consagrados, no elenco.
Escrita por Dias Gomes, Saramandaia apelava para o realismo fantástico típico das produções desse autor (só para lembrar: Gomes é autor de O Bem-Amado e Roque Santeiro, duas produções que marcaram época na Globo).
A trama de Saramandaia se passava na fictícia cidade de Bole-Bole, na zona canavieira de Pernambuco, onde um plebiscito tinha sido convocado para a sua mudança de nome. Alguns moradores queriam que ela se chamasse Saramandaia. Mas o que atraia a curiosidade do público eram os habitantes com características surreais de Bole-Bole. Tinha o coronel Zico Rosado (Castro Gonzaga), que possui formigas no nariz. Também tinha João Gibão (Juca de Oliveira), cuja corcunda esconde um par de asas. Dona Redonda (Wilza Carla) comia o tempo todo, chegando a explodir em virtude da gula. Professor Aristóbulo (Ary Fontoura), transformava-se em lobisomem nas noites de lua cheia. Marcina (Sônia Braga), que incendeia objetos apenas com um toque.
Apesar do horário de exibição um tanto restritivo, Saramandaia fez mais sucesso do que o esperado. E no rastro de todo esse sucesso lançaram até uma cachaça com o nome da novela.
Saramandaia ajudou a projetar o músico Ednardo, que cantou a música de abertura da novela: Pavão Misterioso.
A segunda versão de Saramandaia foi lançada em 2013, com apenas 56 capítulos (a primeira versão teve 160).

11/09/2017

O ABSYNTHO E O ETERNO HIT MEU URSINHO BLAU BLAU


A década de 1980 foi definitivamente um período de ouro para o rock brasileiro. Foi quando surgiram bandas fenomenais como Titãs, Barão Vermelho, Capital Inicial, Ira! e Legião Urbana, entre outras. O Legião Urbana emplacou diversos sucessos nas rádios, tornando-se uma das mais cultuadas bandas desse período. Mas também surgiram diversas bandas de apenas um sucesso. Uma delas foi o Absyntho, grupo criado em 1982 pelo quinteto Sylvinho Rego, Sérgio Diamante, Wanderley Pigliasco, Fernando Sá e Darcy.
Antes de lançar o primeiro Lp, o Absyntho deixou no mercado dois compactos. Chamado de Meu Ursinho Blau Blau, o primeiro conquistou as paradas de sucesso de imediato. Chegou a vender em torno de 350 mil cópias O segundo foi Palavra Mágica, que teve uma recepção um pouco mais fria.
Intitulado Absyntho, o primeiro Lp saiu em 1985. Mas a banda, no entanto, duraria pouco. O Absyntho se desfez em 1987 e Sylvinho Rego resolveu seguir carreira solo.
Tentando se desvencilhar do hit Meu Ursinho Blau Blau, Sylvinho fez um show onde destruía um desses brinquedos de pelúcia. Mas, dizem muitas línguas, o efeito foi totalmente contrário. Ciente disso, o vocalista e compositor Sylvinho passou a adotar o nome de Sylvinho Blau Blau.
Embora a banda tenha se separado, Sylvinho continua fazendo shows em todo o Brasil. Também participa esporadicamente de programas de TV, inclusive realities shows.

10/09/2017

OS 40 ANOS DE UM FILME QUE MARCOU A HISTÓRIA DO CINEMA: CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU

 
Durante um blecaute na região onde vive, um eletricista do interior dos Estados Unidos sofre um contato imediato de terceiro grau, assim como testemunha uma perseguição policial ao que supostamente seriam naves alienígenas. Ele fica obcecado com aquilo e passa a ter visões em que aparece uma montanha que em momento algum consegue identificar.
Ao mesmo tempo, uma mãe de família tem sua residência invadida por luzes estranhas. Aterrorizada, ela tenta proteger o filho pequeno, mas a criança desaparece juntamente com as luzes.
Visões alienígenas se espalham pelo mundo todo, deixando as Nações Unidas, assim como o governo norte-americano, ciente de que algo muito excepcional estará para acontecer.
É assim que começa a fantástica narrativa de Contatos Imediatos do Terceiro Grau, lançado há 40 anos pelo cineasta Steve Spielberg.
Também roteirizado por Spielberg, Contatos Imediatos teve uma recepção excelente tanto da crítica quanto do público. Foi um dos maiores blockbusters daquele tempo, superado apenas pelo primeiro filme da saga Star Wars.
O papel de Roy Neary, o eletricista que teve contato com os ETs, ficou com Richard Dreyfuss, que também tinha trabalhado com Spielberg em Tubarão. O elenco também contou com Melinda Dillon, Teri Garr, Cary Guffey (que interpretou Barry, o garotinho) e ninguém menos que o cineasta François Truffaut.
Com efeitos especiais de tirar o fôlego e uma trama envolvente até o último minuto, Contatos Imediatos foi indicado a sete Oscars. Ganhou os prêmios de melhores efeitos sonoros e melhor fotografia. Foi também indicado ao Globo de Ouro e BAFTA de melhor filme.
Roy Neary acaba descobrindo que montanha era aquela que não lhe saia do pensamento: a Devils Tower, em Wyoming. Crente de que algo extraordinário está para acontecer, ele se dirige para lá, onde testemunha um contato entre o governo dos Estados Unidos e uma nave-mãe alienígena. Pessoas desaparecidas são devolvidas – inclusive o pequeno Barry, cabe aqui salientar – e Neary... Bem, se você ainda não assistiu, experimente ver agora Contatos Imediatos do Terceiro Grau. É um filmaço.

09/09/2017

FLASH GORDON, A RESPOSTA DE KING FEATURES SYNDICATE AO SUCESSO DE BUCK ROGERS


Entre os primeiros mocinhos dos quadrinhos de ficção científica, vale lembrar de John Carter, Buck Rogers e Flash Gordon. O primeiro a surgir foi John Carter, de Edgar Rice Burroughs, em 1912. Depois, veio Buck Rogers, de Philip Nowlan.
O sucesso dos quadrinhos de Buck Rogers chamou muito a atenção da King Features Syndicate, que propôs um acordo com Burroughs para a publicação das histórias de John Carter. Como não chegaram a um consenso, a King resolveu criar um novo personagem. Para isso, convocou o ilustrador Alex Raymond. Nascia assim um dos mais conhecidos personagens da ficção científica: Flash Gordon.
Raymond não sou deu vida a Flash Gordon, como criou outro personagem bastante conhecido dos fãs de quadrinhos: Jim das Selvas.
As tiras de Flash Gordon começaram ser publicadas em janeiro de 1934. Contavam as aventuras do jovem Flash, que é obrigado a embarcar numa espaço rumo ao planeta Mongo, que está em rota de colisão com a Terra. O objetivo da missão é chocar a nave com o aparentemente errante mundo. Mas, ao invés de se chocar, eles pousam em Mongo e descobrem ser ele governado por um tirano chamado Ming, o Impiedoso. Flash se alia a seres alienígenas para enfrentar a ditadura de Ming.
Não tardou que Flash Gordon virasse filme, desenho animado e série para o cinema. O último filme com o personagem foi lançado em 1980.
A primeira aparição do personagem no Brasil ocorreu em ainda em 1934, no Suplemento Infantil do jornal A Nação, do Rio de Janeiro. Em 1939, ele passa a ser publicado pelo O Globo Juvenil, do jornal O Globo, que adquire o direito sobre os personagens da King Feature Syndicate.
Álbuns especiais e comemorativos de Flash Gordon foram publicados pela Ebal, de Adolfo Aizen (o mesmo criador do Suplemento Juvenil). Outra editora que se arriscou a lançar histórias do personagem foi a Abril. Recentemente, a Pixel Media e a Mythos Editora também publicaram álbuns de Flash Gordon.

08/09/2017

A MESBLA E A ERA DE OURO DO VAREJO BRASILEIRO


Houve um tempo em que as mega-lojas de departamentos faziam grande sucesso entre o público consumidor. Eram lojas como a Isnard, Eletroradiobraz, Mappin e Mesbla. Essa última possuía uma loja na rua 24 de Maio, no Centro de São Paulo, onde hoje funciona uma unidade do Sesc. A matriz da Mesbla ficava no Rio de Janeiro, mais propriamente na rua do Passeio, no Centro.
A Mesbla surgiu em 1912, no Rio de Janeiro, como filial da empresa francesa Mestre et Blatgé, especializada na venda de máquinas. Sua administração foi entregue a um francês até então residente em Buenos Aires, que em 1939 mudou a razão social e o nome fantasia para Mesbla S. A. (uma combinação das duas primeiras sílabas do nome original).
Ao morrer, em 1961, o francês Louis La Saigne deixou uma empresa com mais de 8 mil funcionários, diversas filiais pelo Brasil e um mix de produtos bastante variado. Seus sucessores levaram os planos de expansão adiante, transformando a Mesbla numa das maiores companhias da história do varejo brasileiro. Nos anos 1980, ela chegou a possuir 180 pontos de vendas. Era possível encontrar filiais – todas de grande porte, cabe aqui salientar – em cidades tão diferentes quanto Fortaleza, Santo André, São Luiz e Campinas.
Antigos funcionários lembram da Mesbla como uma empresa onde era gratificante trabalhar, seja pelos benefícios trabalhistas, seja pelas chances de ascensão profissional.
A expansão da Mesbla durou até o início da década de 1990, quando o acúmulo de dívidas começou a prejudicar a empresa. A essa altura, a Mesbla possuía lojas especializadas em veículos e náutica. A Mesbla Náutica, na avenida do Estado, em São Paulo, chamava a atenção de quem por lá passava.
Outro percalço na trajetória da empresa foi o aumento da concorrência, principalmente dos cada vez mais populares hipermercados. A Mesbla mudou suas estratégias, criou marcas exclusivas, contratou executivos e teve que fazer um mega-enxugamento de suas estruturas, mas não adiantou.
O golpe fatal ocorreu no final dos ano 90, quando a Mesbla foi comprada pelo excêntrico empresário Ricardo Mansur. Meses antes, ele tinha adquirido o paulistano Mappin e pensava em promover uma fusão de ambas as empresas, mas... As dívidas tinham se tornado insustentáveis. Mansur tentou obter empréstimos públicos, mas sem sucesso.
A Mesbla e o Mappin fecharam as portas praticamente ao mesmo tempo. Acabava assim uma era de outro do varejo brasileiro, que ainda hoje enche de nostalgia o público que frequentava os outrora elegantes centros do Rio de Janeiro e São Paulo.

07/09/2017

QUANDO O BALÃO MÁGICO COMANDAVA AS MANHÃS DA GLOBO


É impossível falar dos anos 80 sem mencionar o Xou da Xuxa, o programa infantil matinal apresentado por Xuxa Meneghel. Mas antes que Xuxa fosse contratada pela Globo (lembrando que ela apresentava o Clube da Criança, na TV Manchete), quem comandava as manhãs na emissora era a Turma do Balão Mágico.
O Balão Mágico foi um programa infantil apresentado pela Turma do Balão Mágico, um grupo formado pelas crianças Simony, Jairzinho, Tob e Mike. Durou de 1983 a 1986, sempre no período da manhã.
No início, o Balão Mágico tinha apenas dois apresentadores: Simony e Fofão, um ser intergaláctico que ora lembrava um ser humano, ora um cão (ou seria um cão com aparência humana?). Nesse período, o programa contou com a participação do ator Castrinho, interpretando o garoto Cascatinha, que foi personagem do programa humorístico de Chico Anysio.
O programa também teve personagens como Halleyfante, um robô com forma de elefante (detalhe: ele surgiu na época da passagem do cometa Halley); Fofinho, um boneco confeccionado por Fofão; e Luciana, a garotinha que substituía Simony nas suas férias.
A Turma do Balão Mágico surgiu em 1982, quando a gravadora CBS convidou Simony, Tob e Mike para formar o grupo. O primeiro disco fez tanto sucesso que chamou a atenção da Globo, que convidaria Simony para o apresentar o programa. O maior hit do grupo foi Superfantástico, cantado em parceria com o músico Djavan. Outras músicas até hoje associadas ao grupo são Amigos do Peito, Ursinho Pimpão e Galinha Magricela.
O grupo lançou cinco álbuns, além de que fez gravações em parceria com cantores como Roberto Carlos, Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Fábio Jr. e Erasmo Carlos, além de Djavan.
Com o fim do programa, Simony foi para a TV Manchete e, posteriormente, para o SBT. Tob gravou um disco solo e hoje trabalha como ator. Jairzinho foi estudar nos Estados Unidos e ingressou na carreira musical com o nome Jair Oliveira. Mike mudou para o Reino Unido para acompanhar o pai, Ronald Biggs, que se entregou à polícia daquele país depois de anos foragido em virtude de um assalto a um trem pagador.
Orival Pessini, o Fofão passou a apresentar um programa na TV Bandeirantes chamado justamente de TV Fofão. Nos anos 2000, o personagem fez parte do elenco do humorístico Uma Escolinha Muito Louca, também da Band. Vale lembrar como a popularidade do personagem era alta. O boneco do personagem vendeu horrores nas lojas de brinquedos. Fofão também teve sua revista em quadrinhos e até gravou um disco. Orival Pessini faleceu no final de 2016, vítima de câncer.
Quem viveu aquela época jamais esquecerá do Balão Mágico, seus personagens e seus sucessos.