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15/07/2018

UMA ATRIZ QUE MARCOU A HISTÓRIA DA DRAMATURGIA: DINA SFAT



Selva de Pedra. Gabriela. Saramandaia. Os Gigantes. Essas são apenas algumas das novelas nas quais atuou a saudosa atriz Dina Sfat. Se você tem mais de 30 anos, certamente deve se lembrar dela.
Descendente de judeus poloneses, Dina Kutner de Souza nasceu na cidade de São Paulo, em 1938. Durante os anos 1960, adotou o sobrenome Sfat em homenagem à cidade natal de sua mãe.
Seu interesse pelo teatro surgiu quando trabalhava no Centro Acadêmico de Engenharia da Universidade Mackenzie, em São Paulo. Seu primeiro trabalho nos palcos foi na peça Os Fuzis da Senhora Carrar, de Bertold Brechet. O detalhe é que ainda durante os anos 60, trabalhou com dois  importantes grupos de teatro: o Teatro Oficina e o Teatro de Arena de São Paulo. Neste último, atuou na peça Arena Conta Zumbi, de Gianfrancesco Guarnieri. Foi no Arena que conheceu o diretor Paulo José, com quem se casou pouco tempo depois.
Seu primeiro trabalho na televisão foi na novela Ciúmes, transmitida pela TV Tupi, em 1966. Atuou também em produções da TV Excelsior e TV Record. Seu primeiro trabalho na Globo foi na novela Assim na Terra como no Céu, de 1970, mas chamou mesmo a atenção pelo desempenho em Selva de Pedra, de 1972. Passou a fazer parte do casting principal da emissora, atuando ao lado de atores como Francisco Cuoco, Tarcísio Meira, José Wilker e Juca de Oliveira, entre outros. Participou das inesquecíveis Os Ossos do Barão, Fogo Sobre Terra, Gabriela, Saramandaia, O Astro, Os Gigantes, Eu Prometo e Bebê a Bordo.
Dina também foi uma importante atriz de cinema, atuando em filmes de diretores como Ruy Guerra, Bruno Barreto e Joaquim Pedro de Andrade. Sua participação em minisséries famosas conferiram-lhe também o reconhecimento como uma das maiores atrizes dos anos 70 e 80.
Dina descobriu um câncer de mama em 1985, contra o qual lutou durante anos. Apesar da doença, nunca deixou de trabalhar. Chegou a gravar um documentário sobre a União Soviética na época da abertura da perestroika. Escreveu um livro sobre sua luta contra a doença e ainda fez novela: Bebê a Bordo, seu último trabalho na TV.
Dina Sfat faleceu em 20 de maio de 1989. Deixou três filhas – Clara Kutner, Ana Kutner e Bel Kutner –, frutos do casamento de 17 anos com Paulo José. Ana e Bel seguiram a carreira da mãe como atrizes.
Passados praticamente 30 anos de sua morte, ela ainda deixa saudades entre os fãs e todos que admiravam seu trabalho. Se estivesse viva, estaria com toda certeza atuando entre as principais estrelas da Globo. Estaria brilhando aqui na Terra. Sempre brilhando.

Imagem acima: capa da revista Amiga, com Dina Sfat e seu esposo Paulo José

11/06/2018

DE COMPOSITOR DE JINGLES A MÚSICAS POPULARES: A RICA TRAJETÓRIA MUSICAL DE ZÉ RODRIX



Uma das músicas de maior sucesso do cantor e compositor Zé Rodrix foi Quando Será?, em que ele repete: “Quando será, quando será/O dia da minha sorte/Sei que antes da minha morte/Eu sei que esse dia chegará”. Lançada em 1977 no disco de mesmo nome, ela é ainda hoje lembrada pelos seus fãs. Mas temos que lembrar que Quando Será? não foi o único sucesso de Rodrix.
Zé Rodrix não atuou apenas em carreira solo. Ele gravou em parceria com Sá e Guarabira e no grupo Joelho de Porco. Foi também integrante das bandas Momentoquatro e Som Imaginário.
José Rodrigues Trindade nasceu no Rio de Janeiro em 1947 e faleceu em São Paulo, em 2009. Iniciou a carreira ainda na adolescência, com o grupo Momentoquatro, formado por amigos de colégio. Com ele, acompanhou diversos cantores em shows e apresentações em festivais da canção (lembrando que um desses músicos foi Edu Lobo). Mais tarde, passou a tocar no Som Imaginário, um grupo de acompanhava o cantor Milton Nascimento em suas apresentações.
O reconhecimento como cantor começou quando formou com os músicos Luiz Carlos Sé e Gutemberg Guarabyra o trio Sá, Rodrix e Guarabyra na década de 70. Em 1973, resolveu lançar carreira solo, tocando em shows de músicos variados e shows próprios. Foram oito discos-solos, sendo um deles o já citado Quando Será?.
Durante os anos 80, Zé Rodrix fez parte do grupo Joelho de Porco. Mas ele se tornou querido no meio artístico e publicitário por um motivo bem especial: era um excelente compositor de jingues e trilhas sonoras. Entre 89 e 96, por exemplo, compôs as trilhas de várias espetáculos, entre os quais Não Fuja da Raia, estrelado pela atriz Cláudia Raia.
No início dos anos 2000, voltou a se apresentar com a dupla Sá e Guarabyra, inclusive no mega-festival Rock in Rio. Mais tarde, lançou um single em parceria com a mesma dupla, para a novela Revelação, do SBT. Aliás...
Rodrix compôs gravou trilhas para diversas novelas, entre as quais Cambalacho, O Espigão e Corrida do Ouro. Mas...
Em 22 de maio de 2009, Zé Rodrix sofreu um ataque cardíaco fulminante. Chegou a ser levado às pressas para o hospital, onde veio a falecer. Deixou um vazio imenso na história da MPB, pois não era apenas autor de músicas populares, mas de canções para todo tipo de espetáculo, seja da TV, cinema ou palco.

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05/06/2018

SAUDADES DO ETERNO "TRAPALHÃO" ZACARIAS


 
O programa e os filmes do quarteto Os Trapalhões fizeram um sucesso estrondoso durante os anos 1970 e 1980. Tanto é verdade que alguns das produções de maior bilheteria da história do cinema brasileiro têm Didi, Dedé, Mussum e Zacarias como protagonistas. Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão, de 1977, teve um público estimado em 5,7 milhões de pessoas.
Com seu jeito infantil e ligeiramente delicado (sem nenhuma conotação homossexual, é claro), o trapalhão Zacarias era um dos mais queridos das crianças. Foi interpretado pelo comediante Mauro Faccio Gonçalves, nascido na cidade mineira de Sete Lagoas, em 1934.
Nascido numa família de 11 irmãos, Mauro trabalhou como vendedor de sapatos antes de ingressar no rádio. O primeiro programa de rádio em que trabalhou foi Em Babozal Era Assim, da Rádio Cultura de Sete Lagoas. Tentou ganhar a vida em Belo Horizonte, onde exerceu a função de bancário, mas teve a vida inteiramente mudada com o convite feito por Walter Franco para a TV Excelsior do Rio de Janeiro.
Apesar da timidez diante das câmeras, Mauro interpretou muito bem seus personagens. Um deles era o garçom Moranguinho, inspirado num personagem da sua cidade de origem. Com a ampla aceitação pelo público, recebeu outro convite tentador: imigrar para a Rede Record, onde fez parte do elenco de programas como A Praça da Alegria. Foi aí que chamou a atenção do comediante Renato Aragão, que logo o chamou para integrar o quarteto Os Trapalhões.
O personagem Zacarias possuía uma risada bem característica, assim como usava uma peruca que escondia sua calvície. Conquistou o público logo na estreia em Os Trapalhões, ocorrida em 1976.
Além de participar do programa dominical da Rede Globo (Os Trapalhões era exibido sempre antes do Fantástico), Zacarias foi protagonista de inúmeros filmes da trupe: O Rei e os Trapalhões, Os Trapalhões no Planalto dos Macacos, Os Saltimbancos Trapalhões, Os Trapalhões na Serra Pelada...
Mauro trabalhou com Renato Aragão, Dedé Santana e Antônio Carlos Gomes (o Mussum) até 1990, quando faleceu. Deixou uma saudade indescritível entre os fãs, que ainda hoje acompanham as reprises de Os Trapalhões e dão risada com suas imitações, seu jeito simples de fazer humor e sua personalidade carismática.

15/11/2017

AS RECEITAS APETITOSAS DO PROGRAMA A COZINHA MARAVILHOSA DE OFÉLIA

 
Os livros de receitas mais vendidos das últimas décadas são Receitas de Dona Benta e A Cozinha Maravilhosa de Ofélia, sendo esse último uma coletânea com algumas das melhores receitas da apresentadora Ofélia Anunciato.
O Cozinha Maravilhosa de Ofélia estreou na TV Bandeirantes em 1968. Como o próprio nome indica, tratava-se de um programa de culinária que a cada dia apresentava um prato diferente. Além de mostrar as suas receitas, a sempre simpática Ofélia surpreendia os espectadores com dicas e truques de cozinha.
A paulista Ofélia Anunciato nasceu na cidade de Itatiba em 1924. Começou a se tornar famosa em 1958, quando iniciou a publicação de suas receitas em jornais como A Gazeta (São Paulo) e A Tribuna (Santos). Com o sucesso da coluna foi convidada pela TV Tupi para apresentar um quadro de culinária dentro do Revista Feminina, o primeiro programa voltado exclusivamente para o público feminino da TV brasileira.
O Revista Feminina permaneceu no ar durante 10 anos. Foi quando a Band convidou Ofélia para apresentar um programa sobre culinária, batizado de Cozinha Maravilhosa de Ofélia. O detalhe é que, a não ser a pedido do telespectadores, ela nunca repetiu uma receita. O Cozinha Maravilhosa tornou Ofélia uma celebridade nacional. Inspirou diversas culinaristas e deu o pontapé inicial para Etty Fraser, Daniel Bork, Palmirinha, Bela Gil e outras estrelas da cozinha mostrada na TV.
O Cozinha Maravilhosa de Ofélia saiu definitivamente da grade da Band em 1998, quando a apresentadora sofreu um ataque cardíaco e veio a falecer. Ofélia pode ter saído definitivamente de cena, mas seu livro continua vendendo como água.

SYLVINHA, A VOZ MARCANTE QUE EMBALOU MUITOS RITMOS


Entre os grandes ídolos dos tempos da Jovem Guarda estão Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderley Cardoso, Os Vips, Martinha, Eduardo Araújo e Sylvinha, entre outros.
Silvia Maria Vieira Peixoto Araújo, ou simplesmente Sylvinha, nasceu em Mariana (MG) em 1951 e faleceu em São Paulo, em 2008). Começou sua carreira no início dos anos 60, quando se apresentou no programa do Chacrinha. Mais tarde, apresentou em parceria com Eduardo Araújo um programa chamado O Bom. Aliás, Sylvinha e Eduardo se casaram em 1969 e tiveram dois filhos.
Feitiço de Broto, seu primeiro compacto, foi lançado e 1967. Entre os seus maiores sucessos está a música Minha Primeira Desilusão.
Com voz marcante, Sylvinha gravou versões de diversas músicas conhecidas, entre as quais Paraíba, de Luiz Gonzaga, que recebeu elogios eloquentes da crítica.
O auge da carreira da cantora ocorreu entre 1967 e 1973. Ela praticamente gravava discos todos os anos, intitulados apenas Silvinha. Após uma pausa de cinco anos, lançou um trabalho novo em 1978. Feita mais uma pausa, voltou a gravar em 1983. O último álbum de Sylvinha saiu em 2004, com o título Suave é a Noite.
O que pouca gente sabe é que Sylvinha emprestava com frequência a sua voz para a gravação de jingles. Foram cerca de 2 mil gravações. Outra curiosidade: ela atuou durante muito tempo como jurada do programa de calouros de Silvio Santos.

15/10/2017

O SUCESSO METEÓRICO E A CONTURBADA VIDA DE NEUSINHA BRIZOLA

 
Leonel Brizola, ex-governador do estado do Rio de Janeiro, enfrentou diversos adversários políticos ao longo da vida. Devemos lembrar que também foi perseguido pelo antigo regime militar, mas... Parecia que nada lhe dava mais dor de cabeça do que os problemas domésticos. E ninguém dava mais trabalho do que a filha Neusa.
Neusa Maria Goulart Brizola nasceu em 1954 e faleceu em 2011, vítima de hepatite causada provavelmente pelo abuso de drogas. Se tornou nacionalmente famosa em 1983, quando lançou a música Mintchura. Ela estourou nas rádios e se transformou numa das maiores celebridades da música pop daquele ano.
Quem nasceu depois de 1982 certamente não lembra dela. Mas mesmo quem testemunhou o sucesso de Mintchura sustenta a opinião de que Neusinha não passava de uma cantora de um sucesso só. Desconhece o fato de que ela foi uma talentosa compositora, autora de músicas para a TV e o cinema. Mas por que deu tanto trabalho ao pai, um político de longa carreira e candidato a presidente da República?
Parte da resposta está nas drogas. Neusinha era consumidora assídua de entorpecentes como a heroína. Chegou a ser namorada e amante de traficantes. Veio a promover festas em prédios públicos sem o conhecimento do pai.
Neusinha faleceu aos 56 anos de idade, deixando muitas pessoas próximas e admiradores chocados. Sua história foi contada no livro Neusinha Brizola – Sem Mintchura, do jornalista Lucas Nobre.

CLODOVIL, O ESTILISTA QUE CONQUISTOU OS MUNDOS DA MODA, TELEVISÃO E POLÍTICA


Clodovil Hernandes era um dos mais requisitados estilistas do Brasil (ou “costureiro”, como costumavam dizer antigamente). Desenhava vestidos de noiva e festas para as damas da alta sociedade, algumas bastante famosa. Sua rivalidade com o também estilista Dener chamou a atenção da imprensa. Mas Clodovil só se tornaria uma celebridade nacional – ou seja, fora dos circuitos da moda – em 1976, quando participou do programa 8 ou 800 respondendo perguntas sobre a vida de Dona Beja.
Em 1980, foi convidado pela TV Globo para participar do programa TV Mulher. Com apresentação de Marília Gabriela e Ney Gonçalves Dias, o TV Mulher contava com quadros de Xênia Bier, Marta Suplicy e Ala Szerman. O quadro de Clodovil era, obviamente, sobre moda.
A rivalidade com Marília Gabriela (os dois chegaram a discutir ao vivo) levou a Globo a demitir o estilo e contratar Ney Galvão para substituí-lo. Mas quem disse que Clodovil ficou muito tempo desempregado? Ele nem ao menos saiu da Globo e foi contratado pela Bandeirantes para comandar um programa com seu próprio nome. Logo em seguida, veio o convite da Manchete, dessa vez para dois programas: Manchete Shopping Show e Clô Para os Íntimos.
Após um tempo longe da TV (ele tinha sido demitido pelo próprio Adolpho Bloch, proprietário da Manchete), Clodovil voltou para a emissora e passou a apresentar o Clodovil Abre o Jogo. Mas em virtude da crise na Manchete, o apresentador migrou para a CNT. Nos anos seguinte, passou por diversas emissoras, sendo a última a TV JB.
A fama como apresentador estimulou Clodovil a ingressar na carreira política. Tornou-se um dos deputados federais mais votados na época (foi o terceiro mais votado no estado de São Paulo).
Clodovil foi também um dos apresentadores mais polêmicos da TV brasileira. Consta que numa dada ocasião chamou a então prefeita de São Paulo Marta Suplicy (a mesma do TV Mulher!) de “inútil”, “idiota” e “desocupada”. Foi ainda acusado de racismo e antissemitismo.
Clodovil faleceu em março de 2009 em virtude de um acidente vascular cerebral.

05/10/2017

15 CURIOSIDADES SOBRE A VIDA E A CARREIRA DA APRESENTADORA HEBE CAMARGO

 
Hebe nasceu na cidade paulista de Taubaté, Vale do Paraíba, em 1929.

O nome completo da apresentadora Hebe Camargo era Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani.

Hebe fez parte do grupo que foi ao porto de Santos receber os equipamentos que dariam origem à primeira emissora de TV brasileira: a Tupi.

Hebe iria participar da cerimônia de inauguração da TV Tupi, mas teve que faltar, sendo substituída pela amiga Lolita Rodrigues.

A carreira de apresentadora começou quando ela teve que substituir Ary Barroso em seu programa de televisão.

Em 1955, apresentou o primeiro programa feminino da TV brasileira, chamado O Mundo é das Mulheres, com direção de Walter Forster.

Hebe estreou como cantora aos 15 anos de idade, quando participou de um programa da rádio Tupi chamado Clube do Papai Noel.

Hebe formou com a irmã Stela e duas primas, um quarteto chamado Dé-Ré-Mi-Fá. Com o fim do grupo, Hebe e Stela lançaram-se como a dupla sertaneja Rosalinda e Florisbela.

Hebe foi casada duas vezes, a primeira com Décio Capuano, e a segunda, com Lélio Ravagnani. Ela teve um único filho, Marcello Camargo.

Em julho de 1985, durante o programa na TV Bandeirantes, jogou o microfone no chão para reclamar da emissora. Pediu coisas como um novo cenário, mais pessoas na produção e uma orquestra para acompanhar o programa. A emissora prometeu atendê-la.

Também em 1985, recebeu o convite para posar nua para a revista Playboy, mas recusou. “Se não fiz quando tinha 18 anos, não é agora que vou fazer”, disse.

Em 1990, Hebe recebeu o título de a personalidade que tem A Cara de São Paulo, título que voltou a receber em 2009 através de uma enquete da revista Veja SP.

Paulo Maluf, amigo de longa data da apresentadora, sugeriu que ela fosse prefeita de São Paulo. Claro que Hebe considerou a ideia “uma gracinha”, mas não quis levá-la adiante.

Hebe estreou no cinema em 1949, mas só voltou para as telonas em 2009, numa pequena participação no filme “Xuxa e o Mistério de Feiurinha”.

Uma última curiosidade: Hebe Camargo era originariamente morena. Tornou-se loira em 1952, depois de uma viagem aos Estados Unidos. “Me apaixonei pela loirice”, justificou na ocasião.

Fontes: Wikipédia, SBT, Veja, BOL, Mais Que Curiosidades.

18/09/2017

A VOZ INESQUECÍVEL E OS SUCESSOS DO REI DO BOLERO ALTEMAR DUTRA


Entre os cantores que morreram em virtude de derrame/aneurisma cerebral, vale lembrar de Ronaldo Resedá, Paulo Sérgio e Altemar Dutra. Este último, por exemplo, faleceu quando estava em Nova York, na prematura idade de 43 anos.
Altemar Dutra de Oliveira nasceu na cidade mineira de Aimorés, em 1940. Iniciou sua carreira em Colatina, no Espírito Santo, onde se apresentou numa rádio cantando músicas de Francisco Alves.
Antes de completar a maioridade, Altemar foi para o Rio de Janeiro onde, para conseguir ter o que comer, trabalhou em boates e casas de espetáculos. Com um pouco de sorte, conseguiu vaga para cantar em algumas dessas boates, tornando-se conhecido do meio artístico.
Conseguiu emplacar dois grandes sucessos já no seu primeiro disco: Somente Uma Vez e Saudade Que Vem. Mas o lance de sorte veio mesmo quando foi convidado para cantar no programa Boleros Dentro da Noite, uma das maiores audiências da Rádio Mundial. Nessa mesma época, assinou um contrato com a gravadora Odeon.
Não demorou para conquistar as paradas de sucesso com a música Tudo de Mim. Também não demorou para gravar uma das músicas mais marcantes de sua carreira: Que Queres Tu de Mim. Vieram também Somos Iguais, O Trovador, Concerto Para um Verão e o mega sucesso Sentimental Demais.
Com a fama, Altemar passou a se apresentar nos palcos de todo o país. Mas ele pensava alto, queria ir adiante. Investiu na carreira internacional lançando álbuns em espanhol e fez shows em diversos países da América Latina, onde vendeu cerca de 500 mil discos.
Com a carreira internacional consolidada, Altemar passou a também fazer shows nos Estados Unidos. E foi durante uma passagem por lá que sofreu um derrame cerebral que o tiraria para sempre de cena.
Sua voz se tornou inesquecível. Ele é ainda nos dias atuais lembrado como o Rei do Bolero.

23/08/2017

A BREVE CARREIRA E A MORTE TRÁGICA DO SAUDOSO CARLOS ALEXANDRE


Pouquíssimas pessoas diriam que conhecem/ou conheceram o cantor Pedro Soares Bezerra. A coisa muda se falarmos de Carlos Alexandre, intérprete de músicas como Cartão-Postal, Feiticeira e Arma de Vingança.
Pedro Soares Bezerra, ou melhor, Carlos Alexandre nasceu no vilarejo de Santa Fé, no Rio Grande do Norte, em 1957. Lançou seu primeiro disco em 1977, um compacto com as músicas Arma de Vingança e Canção do Paralítico. O sucesso foi estrondoso, com mais de 100 mil cópias vendidas.
A carreira, no entanto, chegou ao auge com o lançamento de Feiticeira. A música fez tanto sucesso que Carlos Alexandre era convidado a cantá-la nos programas de auditório de Bolinha, Chacrinha, Silvio Santos e outros.
De origem humilde, Pedrinho, como era chamado na infância, cultivava uma grande paixão pela terra onde nasceu. Podia se apresentar num dia em São Paulo e no seguinte, estar em Natal, onde vivia com a mulher e os filhos.
Carlos Alexandre morreu num trágico acidente de automóvel entre as cidades de São José do Campestre e Tangará. Na ocasião, tinha saído de um show e seguia para sua casa em Natal.
Ao morrer, deixou 11 álbuns e quatro compactos gravados. Seu repertório contava cerca de 200 músicas. Foram 15 discos de ouro recebidos ao longo da carreira. O detalhe é que até hoje sua esposa recebe pelos direitos autorais de suas composições.
A carreira de Carlos Alexandre foi meteórico. Na época de sua morte, ele tinha apenas 31 anos de idade. Passados quase 30 anos de sua morte, ele ainda deixa muitas saudades.

04/08/2017

A CARREIRA METEÓRICA E A MORTE TRÁGICA DE MAURO CELSO


Nascido na cidade paulista de São José do Rio Pardo, em 1951, Mauro Celso Semenzzatto se tornou conhecido dos brasileiros em virtude de duas músicas: Farofa-fá e Bilu Tetéia. Com o nome artístico de Mauro Celso, foi lançado pela gravadora RCA com um compacto simples como Farofa-fá.
Por sinal, Farofa-fá ficou entre as 10 faixas mais tocadas no Brasil durante o ano de 1975. 
Foi também uma das mais populares do festival Abertura, da TV Globo. Não sem motivos. O público considerava suas músicas muito divertidas. Elas são até hoje tocadas em rádios flashbacks e bailes de carnaval.
Mauro Celso lançou em 1975 um álbum chamado Mauro Celso para Crianças até 80 anos, que foi bem recebido pelo público. Uma das sua principais faixas era Bilu-Tetéia.
Apresentações em programas populares como Cassino do Chacrinha, Clube do Bolinha e Programa Silvio Santos eram frequentes. Mauro Celso viajava o Brasil inteiro para fazer shows. Mas sua carreira, infelizmente, foi brutalmente interrompida durante uma viagem ao litoral paulista. A picape em que viajava capotou, matando o cantor instantaneamente. Mauro Celso deixou esposa, um filho de 9 anos e muitos fãs saudosos do tempo em que irradiava energias positivas no rádio e na TV.

28/07/2017

ANTÔNIO MARCOS, O CANTOR QUE ARRANCAVA SUSPIROS POR ONDE PASSAVA


Antônio Marcos é ainda hoje lembrado como cantor, mas também foi um grande ator. Participou de peças teatrais – inclusive do saudoso Teatro de Arena, vale lembrar –, atuou em filmes e fez pontas em novelas. Uma dessas novelas foi Cara a Cara, exibida pela Band exibida pela TV Bandeirantes no últimos meses da década de 1970.
Além de atuar em Cara a Cara, Antônio Marcos cantou a música tema da novela. Mas ela está longe de ser seu maior sucesso. A música mais inesquecível que gravou foi O Homem de Nazaré, um dos principais hits do ano de 1973. Antônio Marcos também emplacou músicas como Tenho um Amor Melhor do Que o Seu, Menina de Tranças, Como Vai Você, Quem Dá Mais e Oração de um Jovem Triste.
Antônio Marcos Pensamento da Silva nasceu em São Paulo em 1945 e morreu na mesma cidade em 1995, vítima de insuficiência hepática causada pelo alcoolismo. Era o segundo de uma família de oito filhos do bairro de São Miguel Paulista, na Zona Leste. Foi casado quatro vezes e teve cinco filhos. Entre suas ex-esposas estão a cantora Vanusa, com quem teve Amanda e Aretha (esta última muito conhecida pelos musicais infantis da Globo) e a atriz Débora Duarte, com quem teve Paloma (que mais tarde se tornaria uma atriz muito famosa).
Antônio Marcos começou a cantar no grupo Os Iguais, que logo deixaria para tentar a carreira solo. Gravou dois compactos antes de lançar o primeiro LP. Ganhou o prêmio de melhor intérprete do IV Festival de Música Brasileira de TV Record, em 1969. Em seu auge, participou de quadros do Programa Silvio Santos, gravou filmes com atores famosos e até participou de fotonovelas (detalhe: ao lado da atriz estreante Vera Fischer). Apresentou na companhia de Débora Duarte um programa na TV Bandeirantes chamado Rosa e Azul, no qual recebiam cantores que estavam na crista da onda (Sidney Magal, Djavan, Lady Zu...). Aliás, Antônio e Débora atuaram juntos na novela Cara a Cara.
Com mais de 1,80 metro de altura e porte viril, Antônio Marcos arrancava suspiros por onde passava. Fazia shows em todo o Brasil, ganhando rios de dinheiro. O problema... O problema era o alcoolismo, responsável pelo fim abrupto de seu casamento com Vanusa e outros tantos casos que chamaram a atenção da imprensa. Para complicar, sua carreira entrou em declínio. Ele não conseguia emplacar mais nenhum sucesso. As internações em clínicas passaram a ser frequentes. Num dado momento, Antônio Marcos precisou de ajuda até para comer.
Sua morte emocionou milhares de fãs, que fizeram questão de acompanhar o enterro, em São Paulo. O caixão foi coberto com uma bandeira do São Paulo, seu time favorito.
Antônio Marcos deixou 14 discos e centenas de músicas.

21/07/2017

JESSÉ - O SUCESSO E O DESAPARECIMENTO REPENTINO DE UMA VOZ ÚNICA


Os festivais da canção da canção transmitidos pela Globo e patrocinados por empresas como a Shell durante os anos 1980 revelaram para o grande público cantores como Raimundo Sodré, Tetê Espíndola, Oswaldo Montenegro, Sandra Sá e Jessé, entre outros.
Um dos grandes vencedores do festival MPB 80 foi o cantor Jessé com a música Porto Solidão (até hoje com 8 milhões de visualizações no YouTube). Curioso é que anos antes ele tinha tentado a carreira internacional com o pseudônimo de Tony Stevens.
Jessé Florentino Santos nasceu em Niterói/RJ, em 1952, e faleceu em Ourinhos/SP, em 1993. A morte ocorreu em virtude de um acidente de automóvel, quando o cantor se dirigia para um espetáculo na cidade de Terra Rica, no interior do Paraná.
Jessé viveu grande parte da vida em Brasília, mas mudou-se para São Paulo onde atuou como crooner em boates e tentou a carreira musical em grupos como o Placa Luminosa (que, por sinal, também faria grande sucesso num dos festivais da Globo).
Com a participação no Festival MPB 80, ganhou o prêmio de melhor intérprete. Sua interpretação de Porto Solidão, ajudou a alavancar sua carreira. Mais tarde, ele voltaria a fazer sucesso com outra música inesquecível: Voa Minha Liberdade.
Jessé lançou cerca de 15 discos ao longo da carreira. Os últimos álbuns foram coletâneas póstumas, lançadas em 2000 e 2003. Deixou uma imensa saudade não só em virtude de suas belas canções, mas de sua voz única.


13/07/2017

JANETE CLAIR, A NOVELISTA QUE MOBILIZOU O BRASIL DURANTE OS ANOS 70



A novelista Jenete Stocco Emmer Dias Gomes nasceu em 1925 na cidade mineira de Conquista e faleceu em 1983 no Rio de Janeiro.
Ainda muito jovem, Jenete começou a se apresentar nas rádios de Franca, interior de São Paulo cantando músicas em francês e árabe (detalhe: ela era filha de um imigrante libanês). Trabalhou também como bacteriologista, datilógrafa e locutora de rádio. Mas foi como roteirista de radionovelas que a jovem Jenete começou a ser tonar conhecida.
A estreia como roteirista ocorreu em 1956 com a radionovela Perdão, Meu Filho. Já a estreia na TV aconteceu na década seguinte, com as telenovelas O Acusador e Paixão Proibida.
Em 1967, transferiu-se para a Rede Globo, onde recebeu a incumbência de alterar a trama da novela Anastácia, a Mulher Sem Destino. A intenção da emissora era reduzir as despesas com a produção, problema resolvido com um terremoto. Podemos dizer que Janete matou mais da metade dos personagens.
Em seguida, Janete escreveria Sangue e Areia, Passo dos Ventos, Rosa Rebelde e Véu de Noiva. Suas tramas conquistaram de vez a audiência durante os anos 70, quando lançou Irmãos Coragem, O Homem Que Deve Morrer, O Semideus, Selva de Pedra, Pecado Capital, Duas Vidas, O Astro e Pai Herói.
Selva de Pedra foi uma das poucas telenovelas a conquistar 100% de audiência. O feito ocorreu no capítulo em que a personagem Simone Marques é desmascarada. Com o sucesso, ela foi reprisada em 1975. Também ganhou um remake em 1986.
Outra novela que virou uma verdadeira mania foi O Astro. O Brasil inteiro passou a perguntar quem matou o personagem Salomão Ayala, mistério elucidado apenas no último capítulo. Em 2011, O Astro foi reescrita para o horário das 22h por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro.
Janete escreveria ainda Coração Alado, Sétimo Sentido e Eu Prometo. Durante essa última, a novelista passou a tratar de um câncer no intestino, que mais tarde a levaria ao óbito. Eu Prometo foi concluída por Glória Perez.
Jenete adotou o nome artístico de Janete Clair inspirada pela música Clair de Lune, de Claude Debussy.
Foi casada com o também autor Dias Gomes, responsável por produções como O Pagador de Promessas, O Bem-Amado e Saramandaia. Denise Emmer, sua filha, tornou-se famosa por interpretar a música tema internacional dos personagens André Cajarana e Carina Brandão na novela Pai Herói.

30/06/2017

DAVID BOWIE, O CAMALEÃO QUE MARCOU O CENÁRIO MUSICAL DAS ÚLTIMA DÉCADAS




Famoso por músicas como Let’s Dance, Heroes, Space Oddity, Life on Mars, Starman e Ziggy Stardust, o camaleão David Bowie foi uma das maiores figuras do rock/pop dos anos 1970. Ele será para sempre lembrado como uma das personalidades mais criativas do cenário musical das últimas décadas.
David Robert Jones nasceu em Brixton, ao sul de Londres, em 1947. Ingressou na carreira musical aos 15 anos de idade, quando fundou sua primeira banda. Mas o sucesso só viria no finalzinho dos anos 60, quando lançou a música Space Oddity, que alcançou o 5º lugar nas paradas britânicas.
Ele era tido por muitos como o criador do glam rock (ou “glamour rock”), um estilo predominante no Reino Unido na época do lançamento do álbum Ziggy Stardust – ou mais propriamente The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Aliás, foi nessa época que gravou seus trabalhos mais inesquecíveis, entre os quais Alladin Sane e Diamond Dogs.
Bowie chegou a trabalhar em parceria com grandes ídolos da música, entre os quais John Lennon, Elton John, Lou Reed, Peter Frampton, Tina Turner, Freddie Mercury. Por sinal, ele era amigo de infância de Frampton.
Como ator, trabalhou nos filmes Christiane F., Fome de Viver, Labirinto, Furyo - Em Nome da Honra, A Última Tentação de Cristo e O Grande Truque.
Era casado desde 1992 com a modelo somali Iman Abdulmajd, com que teve uma filha chamada Alexandra Zahra.
Devido a uma artéria bloqueada, passou por uma cirurgia no coração e fez uma pausa na carreira em 2004. Acreditava-se que tinha saído definitivamente de cena, mas voltou a gravar em 2013. Blackstar, seu último trabalho, foi lançado em 2016.
David Bowie faleceu em virtude de um câncer em janeiro de 2016. Vendeu 140 milhões de discos durante toda a carreira. E certamente deixou milhões de órfãos de seu talento.
Uma curiosidade: Bowie era chamado de Camaleão graças em grande parte a sua aptidão para reinventar-se.